15 agosto, 2018

REVISTA LIBERART

CLIQUE NA IMAGEM PARA FAZER O DOWNLOAD

 Download


A revista é uma exposição organizada pelos alunos do segundo ano do ensino médio (com publicação dos alunos dos 1º e 2º ano do ensino médio) e por mim: professora Sidileide Batalha. Esperamos que a revista ofereça reflexões positivas sobre os temas abordados: Bullying, relações contemporâneas, corpo, gênero e sexualidade. Desejo uma boa leitura. Que a arte e a literatura abram as suas mentes para um mundo de possibilidades e respeito mútuo.





27 maio, 2018

O MITO DO AMOR ROMÂNTICO E O CASAMENTO


O mais importante na vida, de fato, é o amor. O sociólogo Bauman disse que o amor e a morte são os dois personagens principais da história da humanidade. Não podemos penetrar duas vezes nem no amor e nem na morte, pois são acontecimentos únicos. E quando eu falo em amor, no que vocês pensam? Aposto que vocês pensaram primeiro em seus namorados, maridos, ou no crush. Resumindo: Quando alguém fala de amor, ou quando pensamos no amor, é comum, principalmente entre os adolescentes, a nossa mente ligar-se ao pensamento da união entre um homem e uma mulher.
Isso acontece porque, como afirma à psicóloga, Damasceno, o ser humano passa grande parte de sua vida buscando realizar suas fantasias, preencher o seu vazio existencial, suprir suas carências, buscando no outro, já idealizado, a realização de todos os seus anseios. Todos querem amar e ser amado, ansiando pelo mito do amor incondicional. Muitas mulheres desejam uma vida de Cinderela, onde o amor romântico, que é idealizado, afasta os problemas do cotidiano, onde príncipes e princesas serão “felizes para sempre”.
Contos de fadas, na nossa infância, eles formulam o nosso primeiro pensamento sobre o amor romântico: Eu (você), a Cinderela ou a Branca de neve do mundo real, mulher passiva, bondosa, prendada nos serviços domésticos, espera passiva e pacientemente a chegada do príncipe encantado, que nós salvará de uma vida de miséria ao propor casamento. Simone de Beauvoir disse que o casamento é o destino tradicionalmente oferecido às mulheres pela sociedade. Desse modo, é possível que as suas bisâvos tenham ensinado as suas avôs, e as suas avôs doutrinaram as suas mães, e talvez as suas mães instruíram vocês a pensar que a coisa mais importante que uma mulher pode alcançar na vida é o casamento. Ou talvez isso não aconteceu; pois, felizmente, os tempos estão mudando.
A escritora africana Chimamanda afirma que como mulher a sociedade espera que tomemos decisões pensando no casamento, o qual pode ser “uma fonte de alegria, amor e apoio mútuo”, porém a autora salienta que esse pensamento é ensinado apenas as garotas, o ciclo masculino é deixado de fora.
Nós, mulheres, somos seres incríveis, assim, podemos fazer o que quisermos, sermos o que quisermos, mas poucas de nós fazem ou se tornam. Quando todas as mulheres perceberem que não precisam de um homem ao seu lado para se sentirem incríveis e felizes, não precisam casar para se sentirem realizadas, quando percebemos que apesar de tudo o que a sociedade e a mídia diz sobre nós, e de como devemos agir, quando você perceber que tudo isso é bobagem estará livre para fazer o que quiser (casar ou ser solteira). Ser o que quiser. Quando tiramos a venda do amor romântico que não é construído na relação com a pessoa real, mas sobre a imagem que se faz dela, trazendo a ilusão de amor verdadeiro. Começaremos a ter amor próprio, e afastaremos de nossas vidas as relações destrutivas e doentias. A sua alegria depende de você e não do outro de nossas vidas as relações destrutivas e doentias. A sua alegria depende de você e não do outro.

*Todos os textos desse blog são de autoria da escritora Sidy Batalha, desse modo, a reprodução do conteúdo sem permissão da autora é terminantemente proibida. 









05 janeiro, 2018

O outono da vida


Imagem: Derek Gores



               O silêncio está me deprimindo. Não é o silêncio das pessoas ou o silêncio do mundo que está me magoando, mas o meu próprio silêncio. Em certo dia comum, eu comecei a ver a minha vida se ramificando, como a vida de Sylvia Plath no seu único romance: A redoma de vidro. Assim, “na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava para mim. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro era Constantino e Sócrates e Átila e outros vários amantes com nomes exóticos e profissões excêntricas”... Mas, não mais como Sylvia Plath, a minha árvore começou a desfolhar. Eu estava no outono da minha vida e os homens que encontrei pelo caminho de cada estação eram o meu único abrigo das tempestades e do frio. No entanto, foram esses mesmo homens que me empurraram para um ponto alucinante de loucura. Eles eram como uma bússola que me fazia movimentar-se em busca de mais: MAIS vida, MAIS vitórias, MAIS sonhos, MAIS desejo, MAIS paixão, MAIS insanidade. 
            Sempre fui uma mulher incomum. Uma mulher que acredita que a paixão dá sentido à vida. Eu sou uma escritora, não muito popular, que escreve sobre a tensa chama fugaz da paixão, e tem o profundo sonho de transformar tudo o que toca em poesia. Dentro de mim mora um grito, ele toma voz na minha escrita, na minha arte, e sai à procura de pessoas como eu: insaciáveis por liberdade e por paixões - sejam essas carnais, matérias, afetivas ou imaginarias - paixões de qualquer outro substantivo ou verbo, mas que nos empurram para frente. Nós os camaleões que acreditam na liberdade de ser sempre aquilo que o momento oferece. Nômades desajustados que procuram a intensa felicidade por entre as fendas de dor.
            Ouço as vozes deles me perguntando para que serve a minha vida?  Ouço o discurso das personas que reivindicam a minha sensatez, o meu equilíbrio diante do sistema. Tem uma guerra na minha mente. Estou cansada de sentir como se eu fosse louca. Tem uma guerra na minha cabeça. E eu só quero me aproximar dele como um ladrão aproxima-se de uma joia rara.
Eis a fuga para a loucura...