07 abril, 2017

Um dia eu sumo e ninguém me acha.


Imagem: Loui Jover

Hoje, uma típica noite de sexta-feira, acordo, meio tonta, com um gosto amargo na boca. São 18h10minh, o relógio soa desesperado, enquanto a janela aberta introduz no interior do quarto uma luz mórbida. Mais uma vez, a escuridão é o meu abrigo e o silêncio é o espreitar da morte.

Não tem pra quer eu levantar da cama, hoje não, sem motivos. Estou cansada, viajei durante cinco horas para voltar para casa, o corpo físico pede recuperação. Estou cansada, um pouco da esperança morreu hoje, novamente, a alma pede recuperação. Hoje resolvi assumir a minha amargura, porquanto eu não suporto mais inventar encanto e magia para o vazio. 

Garotão, calado! Nada, você não entende nada. Você não entende nada sobre o meu cansaço. Você não sabe nada sobre o sonho em vão. A vida rodando por aí e eu fora do seu movimento, espreitando a mentira da felicidade.  

Olhe bem para mim – tenho cara de quem quer ser amarga? Não! Mas quando dei por mim eles já haviam levado embora o meu sonho, a minha esperança e o meu amor. Amor não existe, garotão, é tudo balela. Eles me ensinaram isso. Você não sabe quem são eles? Jura?! Nossa, garotão! Eu te contei sobre eles entre drinques e velas postas delicadamente sobre a madeira da mesa de bar.

O coração é um bicho tão esquisito, a alma também é algo estranhíssimo. Você não acha? Não, você não acha. Você é apenas um garoto e isso te impossibilita de saber como eu me sinto.

Semana passada, um deles me disse que estava apaixonado por mim, vê se pode um negócio desse! Eu esperei a minha vida toda para ouvir de alguém por quem eu nutro paixão que ele também gosta de mim, mas, finalmente, quando isso aconteceu eu senti vontade de sair correndo! Desaparecer! Chorar, chorar e chorar o fato do desacreditar. É isso mesmo, garotão, eu não acredito que um deles se apaixonou por mim, ou me ama. Não acredito, sou amarga, já disse.

Ai, eu queria tanto acreditar, e voar e cantar e girar na roda gigante, mas eu não consigo! Quando eu estou prestes a reconstruir a esperança...babau! Eles puxam o meu tapete e a idiota cai de cara no chão, novamente.

Eu, cansei. Cansei!

Não, garotão. A vida não me tornou amarga, os homens sim. Você sim. Mas como eu estava dizendo: hoje resolvi assumir a minha amargura e não levantar da cama. Só pra deixar de ser burra. Sabe, garotão... Igual àquela frase do Cortella: “Um dia eu sumo e ninguém me acha”. Entenda como quiser! Eu não te devo explicação!

Vai! Caia fora da montanha da minha loucura!  Pega a sua maldita senha e vá girar na roda gigante amarela, voar... Porque agora eu vou virar outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada.

Mas eu volto! Um dia eu volto, garotão. 


Um comentário:

  1. Que lindoooo Sidy <3 Eu adoro isso, essa magnitude de sentimentos, essa limpidez de alma! Simplesmente me encanta! <3

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