18 novembro, 2016

Sozinha


Imagem: Alexandra Levasseur



Estou parada na ponte
Estou esperando no escuro
Pensei que você estaria aqui agora
Não há ninguém tentando me encontrar?
Ninguém virá me levar pra casa?

Estar sozinha é algo libertador. Estar sozinha é algo triste e assustador. Porém, estar com alguém é tal qual estar sozinha. Compreende? É temível!

Estar sozinha é pegar a contramão. É atravessar uma avenida movimentada sem olhar para os lados e não ter uma mão para te guiar, segurar.  

Estar sozinha é acordar e demora-se na cama encarando o nada. 

Estar sozinha é abrir as cortinas da janela e o reflexo do sol sombrear apenas um rosto.

Estar sozinha é ser solta, leve, livre.

Estar sozinha é imaginar histórias de amor platônicas que oferecem um pouco de calor ao coração.

Estar com alguém é imaginar futuros momentos e morrer de medo de perder o outro antes mesmo de realizá-los.

Estar sozinha é um abismo sem fim. Uma vitória diária.  Estar com alguém também. Porém, não existe graça em ser louca sozinha. De jeito nenhum.

Estar sozinha é caminhar horas a fio, em meio ao nada, procurando a companhia inexistente.  É voltar para casa de mãos vazias.

Estar sozinha é sangrar um pouco mais, a cada dia.

Estar sozinha é fechar o coração, mas ainda manter a esperança de encontrar o amor a cada dobrada de esquina.

Estar sozinha, ou estar com alguém, é cogitar enlouquecer. 

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