29 outubro, 2016

Pela metade


                                                        Imagem: Brian M. Viveros

Ela voltou para casa sozinha
Com a maquiagem borrada. 
Com a faca ainda enfiada no peito. 

Entrou sem nada.
Nada que esquenta o pé e que protege.

Passaram-se dias. Meses. Anos.
Então chegou o menos.
Menos dor. Menos amor. Menos rancor.

Está acabando.
Contudo, sente-se solitária demais. Terrível demais.
Viveu quase toda a vida assim, sendo sozinha.
Dando-se carinho. Sendo blasé.

Tudo bem. Depois ela melhora.
Se apaixona pelo mocinho do filme.
Lê romance e vai passando. Sempre passa. Sempre acaba.

O amor morreu assim, pela metade.

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