29 junho, 2016

[Vo] ar


Imagem: Svetlana Belyaeva

                                           


Você tem de encontrar um modo
Sim, não posso esperar outro dia
E nada vai mudar
Se ficarmos aqui
Tenho de fazer o que for necessário
Pois está tudo em nossas mãos
Todos nós cometemos erros
Mas nunca é tarde demais para começar de novo
Para respirar de novo
E dizer mais uma prece ♥♪ ♥♪


São cinco da tarde e me encontro, mais uma vez, sentada nesses batentes sujos. É hora do último voo dos pássaros - e eu sou a melhor - e fiel expectadora do balé aéreo. Estou triste, acabo de perder uma grande oportunidade de emprego, na verdade, duas. No momento que recebi a notícia, tentei ficar calma, respirar, escolhi não sofrer e seguir adiante. Mas o não sofrer durou uma manhã e metade de uma tarde.
Agora, no play do celular Aerosmith, fly away from here ... “You gotta find a way. Yeah, I can't wait another day Ain't nothin' gonna change If we stay around here I gotta do what it takes 'Cuz it's all in our hands”. – Está tudo em nossas mãos. Ou melhor, em minhas mãos!

Eu posso escolher permanecer triste, ou voar…

Voar, para mim, sempre foi, e sempre será a melhor opção. Mesmo nos momentos mais críticos, mais sórdidos minhas asas se abrem, assim... um pouquinho, pois eu sei que o dia do  grande voo ainda não chegou.

Houve uma época, em minha vida, em que a tristeza era uma constante companheira. Eu sentia um grande vazio dentro de mim e pensava que o mesmo seria preenchido quando eu encontrasse “a outra metade da laranja” “a tampa da panela”, mas eles nunca preencheram esse vazio, apenas cortavam pequenos centímetros das minhas penas o que acabava aumentando o buraco dentro de mim. Eu acordava de manhã, olhava seu rosto e o vazio aumentava. E assim foi com os demais...

Até que um dia, sentada nesse mesmo lugar, observando o último voo, eu descobri o segredo para tampar o buraco que crescia em mim: eu precisava me amar por inteira, mas principalmente cultivar e zelar as minhas asas. Depois dessa grande descoberta, o vazio aos poucos foi indo embora.


E hoje, como no dia em que o vazio sumiu a tristeza aos poucos se desvanece.

Ângelo me diz que a lição de amar sem esperar nenhuma recompensa foi aprendida, contudo, eu ainda preciso aprender que “Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa…”.

Eu sei, sei que preciso me habituar a pensar desta forma: tudo* que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida… dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.
O que eu quero dizer, com esse texto que nem ficou bom, é que: mesmo que os caminhos mudem de direção, e que se hoje você não conseguiu o que tanto almejou, não se desespere ou desista, pois sempre haverá o amanhã e o resto do hoje.


*Citação de André Luiz.

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