30 maio, 2016

Alma de Vagueiro

Fonte: Google imagens


Do nordeste herdasse
Um sangue que é diferente
No meio de tanta gente
Conhece-se o homem bom
Que não deserda com a gente
Nem grita fora do tom

Do homem leal falarei
És o vaqueiro destemido
Se lhe dão tarefa ruim
Faz-se de agradecido
Pois coragem pra ele é nome
E medo é palavrão indevido

O patrão lhe grita o gado
Sem pensar vai ao abate
E não se deixa abater
Nem se cansa com debate
Na montaria se foi
Corre em direção ao boi
Em posição pro embate

De bezerro a animal feito
De arma laço na mão
Em vaquejada inclusive
Consagra-se campeão
Valentia bovina
Força e indisciplina
Por fim de encontro ao chão

Suado na pele o gibão
Em dias que o sol impiedoso
Entre nuvens sem remorso
Torna a vida mais amarga
Nas veredas se apaga
A água do nosso sertão

De seca não vive o nordeste
Mas de nordeste a seca há de viver
Muito tempo sem chover
Falta d’água sem tamanho
Deixa o vaqueiro no acanho
Sem rebanho pra manter

Mas quando chove de novo
Novamente ganha fronteira
A esperança lisonjeira
De sentir a vida feliz
Pois além de ser a primeira
essa é a principal e derradeira
Vontade que sempre se quis.

Anderson Bezerra, irmão de Sidy Batalha

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