02 maio, 2016

A saudade de hoje.






Imagem: Adam Doyle 






Hoje eu quase morria de saudade de você, o que raramente acontece.  No entanto, hoje estou de volta a essa cidade que não é minha, mas sua, por isso, eu senti a sua falta é inevitável - aqui tudo é você. E nada sou eu.

Você casou, namora, sei lá, com uma menina que não tem cara de louca e que sabe amar como se deve amar. Você casou com uma menina que tem o nariz, os olhos, o sorriso, e o rosto quase idêntico ao meu. Minha cópia? Por que você casaria com uma mulher que traz em si características físicas parecidas com as minhas?

Me disseram que apesar dela não ter cara de louca, ela é, também, meio crazy. Não duvido que ela seja realmente louca, pois você sempre teve a tendência de gostar de pessoas que possuem a loucura à flor da pele, assim como você.  

Hoje fiquei olhando meio extasiada  a foto de vocês dois sorrindo e felizes enquanto aguardam em um restaurante chique a sobremesa que dá fim ao romance do dia. Salvei a foto e enviei para todos os meus amigos que conheceram você e a nossa vida juntos. “Ela lembra você” “Isso te afeta?” “E agora?” “Você se livrou de uma cilada!”. Essas foram às expressões disparadas diante da sua nova felicidade e do meu choque de realidade.

Aqui, nessa cidade, você sempre será inesquecível.  

Hoje, pela última vez, senti a falta daquilo que eu queria ver em você e isso foi terrível. Recordar tudo foi terrível. Ver o mundo através das retinas verdes foi terrível.  Passaram-se seis longos anos, mas eu ainda morro de medo de tudo. O que foi. E o que não foi. E o resto nem existe, porque não conseguimos explicar o fim do que foi bom.

Na sua varanda, certa vez, você respirou fundo e me disse, com a sua voz grave e bonita, que casaríamos antes de você morrer. Nessa época, você possuía paranoia com as palpitações descompassadas do seu coração e com a morte. Eu não queria casar. Casar é uma coisa que pira a gente e me dá um baita medo. No outro dia você descobriu que essas palpitações não passavam de nervosismo redescoberto da vida e,finalmente, você me deixou. 

A vida seguiu...

Hoje você tem outra companheira, e eu tenho a liberdade de ser uma mulher livre da sua loucura. Eu sei que toda essa saudade que estou sentindo daqui a pouco quando a sensação de inutilidade e solidão passar esse sentimento partirá junto. Mas agora, hoje, guarda essa minha confissão: meu afeto por você nunca morrerá. 

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