09 abril, 2016

Diálogo Áspero



                                                     Imagem: Alessandro Gottardo



- Você é indecifrável e atraente. Mas você é tão arrogante que desperta o que há de pior em mim. E quando o que há de pior em mim é despertado fico fria e amarga.
- Você me odeia tanto assim?
- Eu não odeio você.
- Então você me ama!
 - Eu não amo você! Isso de amar não é para mim.
- Sim! Você ama, todo mundo ama! O seu problema é que você sente medo de viver esse sentimento porque tem medo de sofrer novamente.
- É. Você tem razão, amor é dor.
- Que droga!
- O que foi?
- Meu cabelo não tá bonito hoje, estou odiando ele.
- Seu cabelo está bonito. Você é toda bonita, uma beleza internacional. Qual a hora que você tem que voltar?
- Por volta das 23:00hrs.  Vai sentir a minha falta?
- Você sabe que sim.
- Por que não assistimos a um filme?
- Porque você vai querer ver romance.
- Eu não vou querer ver romance.
- Então será drama.
- Meu Deus, dirija olhando para a estrada.
- Não consigo.
- Por quê?
- Porque preciso ficar olhando para você. Já disseram que você é muito bonita e que a sua pele é muito macia?
- Já. Gostei do seu perfume, é novo?
- Sim. Vi ele ontem na vitrine de uma loja e comprei por causa da letra Z gravada no frasco. Lembrei do Zorro. (Risos)
- Zorro?
- É.  Você sabe... Sou espada.
- Era para ser uma piada?
- Era, mas não sou tão engraçado quanto você.  Estamos juntos há duas horas e nunca ri tanto na vida como hoje.
-  Dizem que sou engraçada.
- Engraçada? Você é hilária... e sensual. Você é sensual toda hora.
- Sempre achei que ser engraçada era um dos meus pontos fortes, a sensualidade não.
- Só quando você se desarma, sua caladona.
- Imbecil! 
- Adoro seus textos, leio todos. Sou seu fã.
- Não é possível, mesmo assim fico lisonjeada.
- E o cara lá?
- Não deu certo.
-  Como assim?
- Dessa vez eu pensei que seria simples.
- Eu também. Mas você sabe que isso acontece porque os homens têm medo de mulheres como você.
- Como eu?
- Sim, de alma profunda.
- O que você quer? Está me elogiando demais.
- Calma menina, não posso ser sincero?
-  Sempre desconfie dos homens.
- Você sabe que em mim você pode confiar.
- Eu não sei de nada.
- Eu sei que você sabe. Você tá tirando onda de espertinha?
- Não, eu tô tirando onda de homem.
- Chegamos.
- E agora?
- Agora eu te beijo.
- Meu batom vermelho vai borrar.
- Não me importo.
- Você é tão cínico, deveria ser ator.
- E você é tão dramática, deveria ser escritora.
-  Preciso confessar que já gostei de você. Escrevi-te até poesias.
-  Sério? O que rima com o meu nome?
-  Idiota, é uma meia rima.
- E não escreve mais sobre mim?
- Não.
- Por quê?
- Porque não gosto mais de você.
- O que aconteceu?
- Algo simples, eu conheci você e você me curou de você*.
- Não fala isso! O que eu fiz?
-  Preciso realmente repetir a nossa história?
- Olha...
 - Tudo bem. Você sabe que eu penso demais, falo demais, sinto demais e escrevo demais.
- Você vai embora agora?
- Vou.
- E depois?
- Cada um volta para a sua vida.
- A gente se fala?
- Talvez...
-  Se precisar de algo me chama.
- Ok.
- Te quero bem.
- Eu também.
- Boa noite.
- Adeus.

*Citação do filme One day

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