07 novembro, 2015

A sua falta


Imagem: Dorothy Monet



É estranho. É muito estranho encontrar você depois de tantos anos, vê esse rosto tão familiar, esse riso de chuva e perceber que tudo não passa de uma abstração. É estranho. É muito estranho estar diante do primeiro grande amor da minha vida e não poder falar nada, porque agora, somos apenas dois estranhos dentro de uma vida nova, onde o espaço para ambos é inexistente.

Por que já não podemos conversar? Talvez pelo o que aconteceu no passado, quando desfalecemos em dor e o sentimento que nos unia se transformou em uma grande ferida infeccionada por anos de desentendimento e orgulho.

Agora, é tarde. É muito tarde para esquecer toda a nossa crueldade cuspida acidamente contra nós mesmos. Então, vamos continuar sentados nessas mesas de bar, bebendo cervejas geladas, rindo dos disparates dos nossos amigos, e nos evitando olhar nos olhos enquanto vasculhamos um ao outro com nossas retinas aceleradas. Isso foi o que restou pra gente, é o que merecemos por termos cometido o erro de dar valor a tudo, menos ao amor.

Onde vamos parar? Separados?!
O que faremos com essa dor, com esse vazio que os anos não levam embora?

Não. Não podemos mais regressar, eu não suportaria mais me desmanchar em lágrimas enquanto  à noite alonga-se. Não aguentaria mais perder sonhos. Não aguentaria mais triturar o meu coração. Não aguentaria mais ficar em pedaços. Por isso, só nos resta à indiferença.

Oi, Estranho. 

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