10 setembro, 2015

A pequena gigante






Tua graça abunda nas mais profundas águas
Tua mão soberana, será minha guia
Onde meus pés podem falhar e o medo me cercar
Tu nunca falhaste e não o farás a partir de agora ♡❤♪♯

A primeira vez que a vi foi rapidamente, ela passou entre um dos corredores da grande casa amarela. Eu nada disse, apenas a olhei, mesmo assim tive a certeza de que nos falaríamos um dia. Quando cresci um pouco, finalmente a conheci por meio das palavras literárias o que impôs uma maior aproximação entre nós. E a partir desse momento eu soube que jamais a esqueceria, principalmente porque eu não desejava isso.

Agora, estamos sozinhas aqui dentro dessa sala branca e sem ar. Eu a olho, suas pequenas mãos se movem sobre o teclado preto buscando letras, talvez números, pois é preciso tabelar a vida antes do fim do dia. Suas mãos tremem um pouco e uma lágrima deseja fugir das suas retinas, mas ela não a deixa sair, talvez porque já tenha chorado demais esses últimos dias e sua alma já foi lavada, ou simplesmente ela encontrou uma maneira eficaz de vencer o mais novo gigante impiedoso que apareceu em sua vida. Sim, acho que deve ser isso. Ela tem cara de quem coleciona gigantes dentro de um pequeno armário cinza trancado a chave, pois, ela só o abre quando deseja lembrar que as batalhas foram difíceis, no entanto, apesar de a cada esquina da vida o novo gigante parecer maior , ela não recua. Avante! É o seu lema.

Continuo a observá-la. Percebo que ela é perfeita, contudo, dispunha de uma dor nas costas causada pelas lutas, mas quem não possui essa terrível dor? Todos! Todos possuímos a terrível dor colunar de carregar pesos humanos encravados em nossas veias e em nossos ossos vitais.

Então, em meio ao meu observar e pensar ela me olha com os seus olhos gentis, seus lábios abrem-se amáveis em um sorriso, desses dirigidos a um fotografo de aniversário, de uma menina de cabelo curto e cacheado e dentes pequenos sorrindo amorosamente para a vida. Uma pequena gigante – pensei e logo confirmei com o sorriso que tudo ficaria bem.

E antes de sair daquela sala eu gostaria de ter dito a ela uma porção de coisas, assim que não se dizem costumeiramente, sabe, “dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende?” Falta muito pouco tempo, e se eu não falasse agora talvez não falaria nunca mais,  mas eu não falei. 

Queria ter dito sobre as coisas mais fundas, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas dores nas costas, e dedos nos teclados negros. Eu queria ter te dito naquele dia que “Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos”. Que sempre que a vejo eu sinto a coragem emanar do seu peito. Dizer que “as coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te  feliz. Te quero sem melancolia nenhuma”. E o principal, nenhum gigante é tão grande ao ponto de você não conseguir derrotá-lo.


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