27 setembro, 2015

Ensaio ***Flawless


Fotos e Edição: Neyson Costa
Modelo: Sidy Batalha















10 setembro, 2015

A pequena gigante






Tua graça abunda nas mais profundas águas
Tua mão soberana, será minha guia
Onde meus pés podem falhar e o medo me cercar
Tu nunca falhaste e não o farás a partir de agora ♡❤♪♯

A primeira vez que a vi foi rapidamente, ela passou entre um dos corredores da grande casa amarela. Eu nada disse, apenas a olhei, mesmo assim tive a certeza de que nos falaríamos um dia. Quando cresci um pouco, finalmente a conheci por meio das palavras literárias o que impôs uma maior aproximação entre nós. E a partir desse momento eu soube que jamais a esqueceria, principalmente porque eu não desejava isso.

Agora, estamos sozinhas aqui dentro dessa sala branca e sem ar. Eu a olho, suas pequenas mãos se movem sobre o teclado preto buscando letras, talvez números, pois é preciso tabelar a vida antes do fim do dia. Suas mãos tremem um pouco e uma lágrima deseja fugir das suas retinas, mas ela não a deixa sair, talvez porque já tenha chorado demais esses últimos dias e sua alma já foi lavada, ou simplesmente ela encontrou uma maneira eficaz de vencer o mais novo gigante impiedoso que apareceu em sua vida. Sim, acho que deve ser isso. Ela tem cara de quem coleciona gigantes dentro de um pequeno armário cinza trancado a chave, pois, ela só o abre quando deseja lembrar que as batalhas foram difíceis, no entanto, apesar de a cada esquina da vida o novo gigante parecer maior , ela não recua. Avante! É o seu lema.

Continuo a observá-la. Percebo que ela é perfeita, contudo, dispunha de uma dor nas costas causada pelas lutas, mas quem não possui essa terrível dor? Todos! Todos possuímos a terrível dor colunar de carregar pesos humanos encravados em nossas veias e em nossos ossos vitais.

Então, em meio ao meu observar e pensar ela me olha com os seus olhos gentis, seus lábios abrem-se amáveis em um sorriso, desses dirigidos a um fotografo de aniversário, de uma menina de cabelo curto e cacheado e dentes pequenos sorrindo amorosamente para a vida. Uma pequena gigante – pensei e logo confirmei com o sorriso que tudo ficaria bem.

E antes de sair daquela sala eu gostaria de ter dito a ela uma porção de coisas, assim que não se dizem costumeiramente, sabe, “dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende?” Falta muito pouco tempo, e se eu não falasse agora talvez não falaria nunca mais,  mas eu não falei. 

Queria ter dito sobre as coisas mais fundas, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas dores nas costas, e dedos nos teclados negros. Eu queria ter te dito naquele dia que “Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos”. Que sempre que a vejo eu sinto a coragem emanar do seu peito. Dizer que “as coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te  feliz. Te quero sem melancolia nenhuma”. E o principal, nenhum gigante é tão grande ao ponto de você não conseguir derrotá-lo.


07 setembro, 2015

O Curioso caso dos idiotas





Houve um tempo que eu
Pensei que você fazia tudo certo
Sem mentiras, sem erros
Garoto, eu deveria estar fora de mim
Então, quando penso que houve uma época em que quase te amei
Você se mostrou um idiota e vi quem você era de verdade ♪♩♪♩

Certa vez, eu tive um namorado que disse que eu nunca chegaria a lugar algum com a minha escrita medíocre, que seria muito melhor eu ir lavar uma pia de louça suja do que estar escrevendo. Quando venci o primeiro concurso literário que participei, a primeira frase da minha biografia no livro foi “Você nunca vai chegar a lugar nenhum com essa sua escrita medíocre”.

Continuei escrevendo, nunca parei por causa dele ou por causa de qualquer outra pessoa. E fui crescendo no meio literário, na vida profissional e emocional e ele ... ah, ele foi ficando amargo e coisado, um coiso sem alma e sem amor.

Mas daí chegou outro, quase pior, por mim ele nunca teve nenhum sentimento, nenhum plano; a única coisa que ele teve por mim foi o prazer cruel de me usar e me sugar emocionalmente. Ele sugou a minha vitalidade e me abandonou como se eu fosse uma coisinha qualquer, um objeto facilmente descartável. "- Fiz você pular no nada e agora quero é olhar você toda quebrada". E quebrei, e como doeu a queda. Tudo bem, eu me consertei, demorou um tempo, mas remendei os pedacinhos que quebraram. O tempo me fez conhecer pessoas boas, construí novas amizades, li livros, escrevi, assisti filmes, sorri, cantei e dancei. E ele? ah, ele continua sem nada, sem amor, sem afeto e com um baita medo de não ser ninguém na vida. Coitadinho...

O próximo... ah, esse parecia ser diferente de todos. Mas, nós mulheres sempre dizemos isso “Ele é diferente dos outros” e aos meus olhos ele era, era sim! E é desse que algumas vezes sinto uma baita saudade, mas que logo passa, pois,  é perigoso demais querer ter por perto quem deixou de acrescentar algo bom em sua vida há muito tempo. Você poderia ter sido o príncipe, mas escolheu ser só mais um sapo bonito por fora e feio por dentro. Mais um sapo o qual eu beijei e me envenenou com a sua saliva visceral.

De você eu esperei apenas sinceridade, nada mais...

Sobre os outros dois não vou falar, deveria, contudo cansei de relembrar decepções, decapitações “almaticas”.

Vocês foram terrivelmente cruéis. Vocês foram e continuaram sendo o drama dentro de mim, a próxima seta a direita que leva para a morte, o copo de água sem gelo em uma tarde quente, o assento vazio ao meu lado, o hematoma do lado esquerdo do meu peito.  

Vocês nunca serão, a mão que levanta, o abraço que esquenta, a voz que acalma, a brisa suave em uma tarde quente de verão, o beijo que tranquiliza a alma e o coração. Vocês nunca serão o amor. Graças a Deus vocês não foram o amor.

E para vocês, eu sempre serei a melhor coisa que vocês não tiveram.

P.S - Eu lavei sim aquela pia de louça suja, depois fui escrever sobre você ;)