07 julho, 2015

Day of Infinite



                                                                8 de Julho ∞ de 2015



Essa será para sempre a música desse dia, porque marcou a transição entre um certo amadorismo — para uma espécie de amadurecimento. E digo espécie porque, hoje, um ano depois, esse amadurecimento continua ainda em esboço.



                             Seu amor sempre vai brilhar
                       Mesmo nas sombras... ♩♡♪♯ 

                                                                       ***




Estou sentada em frente ao computador e penso que deveria escrever, mas não tem sobre o quê escrever. Mesmo assim, queria escrever, dessa vez, um texto para mim, pois eu passei quase a minha vida toda escrevendo para os outros, sobre os outros, e nunca me sobrou um tempinho para escrever sobre a Sidy, para a Sidy. Então, queria muito, hoje, me presentear com um texto, já que é o dia do infinito. Mas, antes de escrever vou explicar o que é o dia do infinito para os desconhecedores de plantão. Quando você pega o número oito e o coloca de lado, vira-o, singelamente ele se transforma no símbolo do infinito. Sendo assim, dia 8 de julho é o meu dia do infinito porque eu nasci nessa data, então todos os dias oitos de todos os meses de julhos de todos os anos será para sempre o meu sempre.
Então, esse texto é o meu presente para mim mesma. Portanto, resolvi falar do hoje.


Estou correndo, muito, muito rápido, como se eu estivesse que chegar a algum lugar em poucos minutos, mas não se tem aonde chegar porque estou correndo em circulo e um circulo, no fim, sempre vai nós levar para o início, o lugar que a corrida começou. Eu corro todos os dias, porque correr me ajuda a pensar e preciso pensar para criar, escrever e viver.
Faz uns quinze minutos que parei de correr e sentei nessa escada de cimento para observar o bando de pássaros fazer seu voo de despedida em meio a um céu rosa-azulado. Fico olhando esse céu imenso e relembro a minha primeira festa de aniversário nos meus remotos cinco, sete anos, não recordo a idade certa, contudo lembro perfeitamente o dia 8 de julho de um ano qualquer quando meu pai chegou em casa do trabalho e trouxe na sacola de plástico ingredientes que mais tarde virariam um bolo feinho, mas feito com muito amor pela minha mãe. A festa foi simples, só tinha o bolo, uma vela e alguns balões, mesmo assim foi mágico. Nesse dia ganhei o meu primeiro presente, do meu pai, uma tortuguita, um chocolate em formato de tartaruga; foi a primeira vez na vida que comi chocolate e foi incrível, o cheiro, o gosto adocicado. Anos depois eu entenderia que: éramos muito pobres e o maior presente que os meus pais poderiam me dá, além de amor, era comida. É preciso alimentar-se para o corpo físico não morrer, comer para crescer, para viver... ganhar o chocolate naquele dia do infinito  simbolizava o desejo dos meus pais de me mostrar que a vida, apesar de ser amargar em alguns momentos dá sempre para adocicá-la de alguma maneira linda. Esse gesto me ensinou a ter paixão pela vida, pelo tempo. Agora tenho vinte três anos, na verdade, amanhã/hoje terei/tenho 24, um novo ciclo vai se iniciar e só consigo pensar em uma única coisa: Uma idade nova, eu com o mesmo coração idiota e a mesma ilusão de sempre. Coisa chata, não? Só consigo pensar nisso e nessa profunda falta de alguma coisa que eu não sei o que é. Só que doía, dói, vez ou outra, sem remédio.
Só consigo pensar que sou adulta, que preciso trabalhar, pagar contas, andar firme, erguer a cabeça, ser mais paciente, menos estressada, menos amável (ser amável demais, todos esses anos, só me trouxe dor. Preciso, também, acreditar mais nas pessoas, ou, desacreditar nelas?
Estou sentada aqui, só pensando nas dezenas de pessoas que saíram e entraram na minha vida durante esses vinte e quatro anos. O que elas trouxeram de bom? O que elas levaram? O que eu fiz com o que restou? Ou não restou nada?
Nesse fim de tarde fria de julho, eu quero ficar bem. Quero ter esperança sobre o futuro. Ser sábia ao ponto de saber tomar decisões, as mais complicadas e delicadas. Eu quero continuar louca para poder criar infinitas histórias que só existem na minha cabecinha mirabolante. Quero saúde para lutar. Quero que a esperança volte e que nunca mais morra. Quero os meus pais, meus irmãos e meus amigos ao meu lado por muitos, e muitos anos. Quero amor, sincero, por favor. Quero isso e muito mais Por tudo que há de mau no mundo, eu mereço o máximo do bom. Sem culpa”. Sopro uma vela imaginaria no ar e envio os meus pedidos ao céu.
Estou cansada, muito cansada e triste. Parece que é uma lei universal ficar triste no dia em que se foi mandado para o mundo “Vai lá, seja forte, ou enlouqueça”. Por isso e por outros motivos vou finalizar esse texto, que nem ficou bom, mas que precisou ser escrito para que eu não enlouqueça.

P. S - Eu não sei aonde eu vou estar no próximo dia do infinito, espero estar viva. Não sei se estarei sentada nesses mesmos degraus, contudo, lembrarei do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.

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