02 junho, 2015

Remendando Pedacinhos.






Certa vez, uma sabia pessoa me disse que eu tinha nascido para reconstituir os corações partidos.

 “Eu aposto em você para descobrir a cura para os bons corações que foram partidos. Pois não há melhor forma de se fazer isso do que com a alegria que transborda em seus olhos e com as frases disformes, mas cheias de sentido que saem de você”.

Essa frase ficou girando na minha cabeça durante dias, até eu a gravar na minha mente e no meu coração. Depois, a primeira coisa que pensei foi: De que forma curarei os corações partidos?  Nesse momento, só me coube uma resposta: amando. Acolhendo o outro e dando amor eu o salvaria da dor de ter um coração em pedaços. 

Então, comecei a minha caminhada pelos desertos da dor, recebendo e acolhendo corações destroçados. Acalentei almas com o meu humor infanto-juvenil, amparei dores humanas com as minhas mãos calejadas. Durante todos esses anos, cruzaram o meu destino pessoas que carregavam em seus corpos, em suas almas, mágoas intensas. Pessoas que se sentiam deslocadas humanamente, pessoas que se sentiam o tempo inteiro em uma eterna queda livre em direção ao nada.

Para essas pessoas eu dei as partes mais importantes do meu ser, o meu abraço, a minha compreensão, a minha mão e o mais importante... a minha alma em forma de literatura.

Para elas eu captei as dores humanas e depois as entreguei em forma de verso. Ao escrever eu sangro até a minha última gota de felicidade e ao terminar dou o meu sangue para o próximo, para a próxima pessoa que está se afogando por causa do desentendimento da vida. E em troca recebo os mais singelos e sinceros sorrisos, os mais doces abraços e as palavras mais amorosas que existem.
E dessa forma, ao reconstituir os corações partidos eu também restauro o meu que sempre foi tão resto de dores.

Ontem, uma leitora me pediu desesperadamente ajuda para curar o seu coração partido que sofria a dor causada pela falta de amor que o mundo deu para ela. Tentei ajudá-la fazendo-a vomitar a incompreensão, a angústia, a náusea, o maldito choro preso na garganta, os adeuses infinitos. Mas, ela não conseguiu colocar tudo pra fora e fugiu. Fugiu de si mesma pelas ruas escuras da cidade tão conhecida.

E eu... bem, eu fui atrás dela, calcei meu melhor tênis de corrida e tentei alcançá-la, na metade do caminho a perdi de vista e andei horas a fio a sua procura... nada! Foi quando cai no desespero humano por não poder alcançar outra alma e chorei. O choro veio lento depois se violentou. Em meio ao nada cai de joelhos. Em meio ao nada chorei igual a uma criança recém-retirada do aconchego do útero da sua mãe. Chorei por ser humana e por não saber viver sem ser na dor. Chorei por todas as pessoas que cruzaram a minha vida e eu não conseguir ajudá-las. Chorei por todas ás vezes que fui enganada. Chorei por todas ás vezes que o anjo bonzinho tornou-se o demônio. Chorei por lembrar os seus olhos e por sentir falta do seu abraço.

Naquele momento, a tristeza estava me fazendo mil vidas, e nenhuma continha alegria. Foi quando fitei o céu... o céu tingido de rosa por causa do crepúsculo. E nesse exato momento em que o sol estava morrendo para refazer o amanhã foi quando compreendi que tudo ficaria bem. Pois, quando criança meu avó costumava me dizer que raramente o céu se pintava de rosa para se despedir do sol, e que por isso, sempre que eu estivesse sentindo dor no principal músculo humano (o coração) eu observasse o sol se por, caso o céu se pintasse de rosa é porque no outro dia tudo ficaria bem.

E lá estava ele, o céu mais cor de rosa que já vi em toda a minha vida.

Amanhã, bem... amanhã será um novo dia... e o novo dia vai chegar cheio de pedaços de corações recém partidos para eu colar, por isso e por vários outros motivos eu não posso me dá ao luxo de morrer de desespero causado pelo desentendimento do meu ser e por falta de amor. 

E essa é a minha missão aqui na terra... Te salvar!


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