25 junho, 2015

Fuck You





Vá se foder muito, muito mesmo
Porque suas palavras não condizem
E está ficando muito tarde
Então, por favor, não mantenha contato



Ele chegou de mansinho, seu rosto estampava uma expressão de preocupação. Sentou acanhado, mal me olhou na face, logo hoje que eu estava usando o Russian Red...

Ele começou escolhendo as palavras, como se elas fossem um tipo de brisa forte e eu um vaso delicado de cristal que se quebraria ao recebê-las. Enquanto ele procurava amenizar o momento com delicadas frases prontas e ensaiadas eu pensava  qual roupa eu deveria usar para ir à entrevista amanhã “talvez qualquer peça na cor preta, a minha cor favorita”.  

“Então, você é importante para mim...”

“Talvez eu use aquela regata de linho com o blazer preto...”

“Eu realmente gosto muito de você, me importo com você...”

“Ou aquele camisão azul...”

“Eu nunca quis magoá-la...”

“Ou aquele... Opa! espera!... ele acabou de dizer que nunca quis me magoar? Imagine se

Quisesse, teria sido mil vezes pior do que foi?”

Ele prosseguiu com o discurso edulcorado, o qual eu já sabia decorado há anos.

“Dessa vez, com você, eu queria que desse certo, mas eu não acredito que isso vá se encaixar com o tempo...”

Meu silêncio prosseguiu. Não existia nada a ser dito, tudo já tinha sido exposto, falado, esbravejado, sentido, sofrido. Contudo, existia sim uma coisa a ser dita. Uma coisa que ficou calada por algum tempo, porque eu nunca soube como seria proferido nem como seria ouvida, compreende?  E se eu não dissesse agora talvez não dissesse nunca mais. Foi quando eu segurei a mão dele o mais delicado possível, encarei aqueles olhos que disparam mil corações e falei em voz alta, pela primeira na vida ,  a frase que nunca imaginei que diria para alguém, o meu mais sincero: FODA-SE!

Eu sempre fui uma pessoa boazinha, sempre passei a mão na cabeça de quem não merecia. Sempre dei segundas, terceiras, quartas chances para todos que me sacanearam. Agora, chega! É como disse a poeta: Vacilou? A porta está aberta, meu bem. Sem dó nem piedade.

Eu não vou tolerar mais na minha vida ninguém que me vampirize. Chega! Chega! Chega! Eu devo isso a mim!

Então, agora vai ser assim, vou deletar um monte de gente da minha vida, sem dó nem piedade. Disso tudo, a hipocrisia disfarçada é a causa do meu nojo. Nojo dos humaninhos que ora amam, ora usam. Odeio essa dualidade de intenções. Foda-se essa "Paixão" e Foda-se você!


02 junho, 2015

Remendando Pedacinhos.






Certa vez, uma sabia pessoa me disse que eu tinha nascido para reconstituir os corações partidos.

 “Eu aposto em você para descobrir a cura para os bons corações que foram partidos. Pois não há melhor forma de se fazer isso do que com a alegria que transborda em seus olhos e com as frases disformes, mas cheias de sentido que saem de você”.

Essa frase ficou girando na minha cabeça durante dias, até eu a gravar na minha mente e no meu coração. Depois, a primeira coisa que pensei foi: De que forma curarei os corações partidos?  Nesse momento, só me coube uma resposta: amando. Acolhendo o outro e dando amor eu o salvaria da dor de ter um coração em pedaços. 

Então, comecei a minha caminhada pelos desertos da dor, recebendo e acolhendo corações destroçados. Acalentei almas com o meu humor infanto-juvenil, amparei dores humanas com as minhas mãos calejadas. Durante todos esses anos, cruzaram o meu destino pessoas que carregavam em seus corpos, em suas almas, mágoas intensas. Pessoas que se sentiam deslocadas humanamente, pessoas que se sentiam o tempo inteiro em uma eterna queda livre em direção ao nada.

Para essas pessoas eu dei as partes mais importantes do meu ser, o meu abraço, a minha compreensão, a minha mão e o mais importante... a minha alma em forma de literatura.

Para elas eu captei as dores humanas e depois as entreguei em forma de verso. Ao escrever eu sangro até a minha última gota de felicidade e ao terminar dou o meu sangue para o próximo, para a próxima pessoa que está se afogando por causa do desentendimento da vida. E em troca recebo os mais singelos e sinceros sorrisos, os mais doces abraços e as palavras mais amorosas que existem.
E dessa forma, ao reconstituir os corações partidos eu também restauro o meu que sempre foi tão resto de dores.

Ontem, uma leitora me pediu desesperadamente ajuda para curar o seu coração partido que sofria a dor causada pela falta de amor que o mundo deu para ela. Tentei ajudá-la fazendo-a vomitar a incompreensão, a angústia, a náusea, o maldito choro preso na garganta, os adeuses infinitos. Mas, ela não conseguiu colocar tudo pra fora e fugiu. Fugiu de si mesma pelas ruas escuras da cidade tão conhecida.

E eu... bem, eu fui atrás dela, calcei meu melhor tênis de corrida e tentei alcançá-la, na metade do caminho a perdi de vista e andei horas a fio a sua procura... nada! Foi quando cai no desespero humano por não poder alcançar outra alma e chorei. O choro veio lento depois se violentou. Em meio ao nada cai de joelhos. Em meio ao nada chorei igual a uma criança recém-retirada do aconchego do útero da sua mãe. Chorei por ser humana e por não saber viver sem ser na dor. Chorei por todas as pessoas que cruzaram a minha vida e eu não conseguir ajudá-las. Chorei por todas ás vezes que fui enganada. Chorei por todas ás vezes que o anjo bonzinho tornou-se o demônio. Chorei por lembrar os seus olhos e por sentir falta do seu abraço.

Naquele momento, a tristeza estava me fazendo mil vidas, e nenhuma continha alegria. Foi quando fitei o céu... o céu tingido de rosa por causa do crepúsculo. E nesse exato momento em que o sol estava morrendo para refazer o amanhã foi quando compreendi que tudo ficaria bem. Pois, quando criança meu avó costumava me dizer que raramente o céu se pintava de rosa para se despedir do sol, e que por isso, sempre que eu estivesse sentindo dor no principal músculo humano (o coração) eu observasse o sol se por, caso o céu se pintasse de rosa é porque no outro dia tudo ficaria bem.

E lá estava ele, o céu mais cor de rosa que já vi em toda a minha vida.

Amanhã, bem... amanhã será um novo dia... e o novo dia vai chegar cheio de pedaços de corações recém partidos para eu colar, por isso e por vários outros motivos eu não posso me dá ao luxo de morrer de desespero causado pelo desentendimento do meu ser e por falta de amor. 

E essa é a minha missão aqui na terra... Te salvar!


Amora Amarela


Queria ser ela
Tristonha e singela
Porém não podia
Pois era amarela

Observava as roxas
Vermelhas tão belas
Queria ser amora
Mas fora amarela

Pintou-se de cores
Cada uma, uma parcela
Antes amora
Agora aquarela.


Anderson Bezerra

01 junho, 2015

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...mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro.Dama da Noite – Caio Fernando Abreu.