24 março, 2015

O dia em que o meu coração morreu




Imagem: Ashley Blanton 

O meu coração morreu em uma terça feira cinza. Meu coração morreu trancado dentro de um quarto escuro, abandonado, sangrando, enquanto todo o meu corpo, todo o meu ser e toda a minha alma choravam juntos o choro mais triste do mundo, ás lágrimas mais tristes do mundo. Eu a menina mais triste do mundo descartada por mim mesma em um canto qualquer de parede, nua e ferida soluçando uma dor incondicional, uma dor que foge a explicações filosóficas e cientificas, uma dor dilacerante, uma dor que como uma droga me alucina as imagens mais trepidas e surreais do meu subconsciente.
A dor não me deixa respirar, não me deixa falar, a dor só quer que eu chore e chore e chore, como se o choro fosse à única saída para o seu fim. Então eu choro, choro como se fosse à única coisa que soubesse fazer na vida. Choro triste, perdida, solitária, doente, nervosa, dolorida, sôfrega. Eu choro o choro de mil vidas, de mil idas e vindas, de mil sonhos perdidos, de mil cenas imaginarias, irreais. Eu choro o choro do desacreditamento de mim mesma, eu choro o choro do teu riso, da tua voz, dos teus olhos. Eu nós choro. Choro a morte, pois a morte é algo inevitável. A morte do coração é igual à morte do corpo, veja só, quando você perde alguém que você ama, um sonho, ou se perde de você mesmo,  você e seu sonho continuam vivos, há então como disse o poeta “uma morte anormal”, O desacreditar em mim mesma torna-se tão irremediável e dolorido quanto o nunca mais ter quem morreu.
Então, é quando o coração morre que a minha alma unida  ao meu corpo derramam juntos  às lágrimas do choro que foi guardado por muito tempo no lugar mais obscuro do meu ser. Nesse momento eu sou um rio que trasborda, um rio que possui tanta água que poderia deságua durante uma vida toda.
A dor me fez ficar na cama durante horas, me fez vomitar tudo, a comida, a água, minha pele, meu cérebro, minha vitalidade, a alegria. Vomitei o eu, a esperança, todo o resto do que sobrou e do que não sobrou.
A dor me fez tomar o calmante em partes, e me fez dormir por horas a fio. A dor me fez parar de sorrir e vestir preto.  Diante de todo esse tormento o pior de tudo é não saber de onde vem exatamente essa dor, é o não saber exatamente o que fazer com ela, e o que  fazer comigo e com o sumiço de mim, por mágica.

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