26 março, 2015

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“Tento recordar teu rosto, nome. Curioso, como às vezes nos escapam os traços da pessoa amada. Situo-te num passado já distante. Não te imagino num presente. De ti resta-me o que foste comigo. E foste – me ternura e descoberta do meu corpo, de minhas mãos até então inábeis que ensinaste a acariciar teus cabelos, a sentir teu corpo; e ainda descoberta de que a minha voz tinha um sentido para além de sons mais ou menos indistintos e vagos.” Barthes. 

24 março, 2015

O dia em que o meu coração morreu




Imagem: Ashley Blanton 

O meu coração morreu em uma terça feira cinza. Meu coração morreu trancado dentro de um quarto escuro, abandonado, sangrando, enquanto todo o meu corpo, todo o meu ser e toda a minha alma choravam juntos o choro mais triste do mundo, ás lágrimas mais tristes do mundo. Eu a menina mais triste do mundo descartada por mim mesma em um canto qualquer de parede, nua e ferida soluçando uma dor incondicional, uma dor que foge a explicações filosóficas e cientificas, uma dor dilacerante, uma dor que como uma droga me alucina as imagens mais trepidas e surreais do meu subconsciente.
A dor não me deixa respirar, não me deixa falar, a dor só quer que eu chore e chore e chore, como se o choro fosse à única saída para o seu fim. Então eu choro, choro como se fosse à única coisa que soubesse fazer na vida. Choro triste, perdida, solitária, doente, nervosa, dolorida, sôfrega. Eu choro o choro de mil vidas, de mil idas e vindas, de mil sonhos perdidos, de mil cenas imaginarias, irreais. Eu choro o choro do desacreditamento de mim mesma, eu choro o choro do teu riso, da tua voz, dos teus olhos. Eu nós choro. Choro a morte, pois a morte é algo inevitável. A morte do coração é igual à morte do corpo, veja só, quando você perde alguém que você ama, um sonho, ou se perde de você mesmo,  você e seu sonho continuam vivos, há então como disse o poeta “uma morte anormal”, O desacreditar em mim mesma torna-se tão irremediável e dolorido quanto o nunca mais ter quem morreu.
Então, é quando o coração morre que a minha alma unida  ao meu corpo derramam juntos  às lágrimas do choro que foi guardado por muito tempo no lugar mais obscuro do meu ser. Nesse momento eu sou um rio que trasborda, um rio que possui tanta água que poderia deságua durante uma vida toda.
A dor me fez ficar na cama durante horas, me fez vomitar tudo, a comida, a água, minha pele, meu cérebro, minha vitalidade, a alegria. Vomitei o eu, a esperança, todo o resto do que sobrou e do que não sobrou.
A dor me fez tomar o calmante em partes, e me fez dormir por horas a fio. A dor me fez parar de sorrir e vestir preto.  Diante de todo esse tormento o pior de tudo é não saber de onde vem exatamente essa dor, é o não saber exatamente o que fazer com ela, e o que  fazer comigo e com o sumiço de mim, por mágica.

23 março, 2015

Cigana


Na palma de minha mão -
Sentimento qualquer (vai e vem) -
Teus dedos me suprimem, em vão,
Os pensamentos que minha mente tem.
De: Mário Gerson
Para: Sidy Batalha

21 março, 2015

O dia em que eu fui embora



Imagem: Eriks Kuhn


E quem vai salvar você quando eu me for? E quem vai cuidar de você
quando eu me for?

Certa vez li que ficar triste é sempre pela primeira vez. Realmente, essa é uma verdade universal, quando ficamos tristes mesmo que seja pelo mesmo motivo, o jeito que a tristeza chega e vai embora é sempre diferente e sempre pela primeira vez. Ontem eu sonhei que você morria, e lá estava eu em um quarto branco segurando a sua mão até o seu último suspiro, depois o cômodo trasbordava em água das lágrimas que eu chorava, eternamente.
Daí acordei meio embargada e triste, sentindo no peito aquele velho aperto que a gente não sabe se é fome causada pelo desentendimento da vida ou sintoma de amor. Eu acordei e o dia seguiu normalzinho, e eu sentindo você perto, e eu sentindo você chegando, porque quando você vem sem me pedir permissão para entrar novamente na minha vida eu sinto lá no fundo da alma a sua presença indesejada.
Mas aí, você chegou de mansinho fingindo que o barco não tinha afundado e me perguntou a única coisa que não se pergunta a alguém que é deixado “Você continua aí?” E eu estava. Eu permaneci mesmo depois de você ter deixado claro que nós dois não éramos e nunca seriamos nada um do outro “Não somos amigos! Não somos nada!”. Mesmo assim, eu seguraria infinitas vezes a sua mão no meio de qualquer caos, mesmo assim, seria eu a correr primeiro em sua direção em um dos piores momentos da sua vida, porque felizmente eu possuo uma alma e um coração.
Diferente do que você deva pensar, eu não sou uma máquina sem sentimentos. Eu tenho muita alma e muito coração! Você acha que eu suportei o seu abandono regozijada, fria e insignificante? Não! Eu senti o seu abandono doer no menor músculo do meu corpo, na menor partícula do meu ser. O seu abandono e a sua frieza tornaram por muito tempo a minha vida cinza e triste.
Foi tão fácil você me deixar. Você me deixou como se eu fosse só mais uma coisinha na sua vida que você usa pra não sentir saudade. Você me deixou como se deixa um animal leproso, abandonado, sozinho e infeliz – sem nenhuma explicação. Você me deixou todas as vezes que eu precisei racionalmente de você. Você manipulou a minha vida e o meu ser até o último pingo de sanidade, depois me deixou...
Talvez eu também devesse ter te deixado! Mas eu não conseguir! E a única coisa que você fez quando eu não te deixei foi me olhar de canto de olho, se perguntando que raios eu estava fazendo ali, ainda ao seu lado, depois de tantos anos e tantos enganos. Eu continuava ali apenas querendo te olhar...
Depois você começou a namorar uma menina, e eu finalmente decidi ir embora para sempre! Te deletei da minha vida e você passou a ser só mais um cara desconhecido que de vez em quando eu cruzava na rua.
E agora FINALMENTE, eu não sinto falta do seu amor, ele nunca existiu e nunca vai existir. Eu o amava com o espirito que se dirigiam ao seu como iguais. Até hoje de manhã, quando eu decidi ir embora pela primeira vez sem dizer nada e sem sentir nenhuma pena nisso.


18 março, 2015

Alma gêmea?



Al-ma gê-me-a. Alm-a gêm-ea. Alm-a gême-a. A ALMA GÊMEA realmente existe? Já ouvi relatos sobre a sua existência, mas nunca comprovei sua veracidade pessoalmente. Como é a alma gêmea? É alta ou magra? Branca ou morena? Tem os olhos claros ou escuros? Canta, dança ou apenas gosta de ler? Ou não gosta de nenhuma dessas coisas? Por favor, alguém me diga como é a alma gêmea porque eu realmente não tenho noção da sua aparência.
Dizem que a alma gêmea aparece inesperadamente. Certa vez um cara apareceu inesperadamente em minha vida, mas não era a alma gêmea porque não ficamos juntos, e ele nem gostava de laranja, como então ele seria a minha outra metade da mesma fruta?
Esses dias eu conheci um cara que tinha a aparência de alma gêmea, mesmo eu não sabendo como ela é, julguei que se ela realmente existisse seria igual a ele, cantor, ator e compositor, dono de um sorriso de disparar mil corações, educado, simpático e gentil. Mas ai a tampa já tinha a sua panela – tchau novamente possível alma gêmea.
Passei o dia pensando em alma gêmea e tampas de panelas, pedaços de laranja e etc. Será que realmente existe uma pessoa para cada um de nós? Realmente existe ou é apenas mais uma história da Carochinha? E se existe... quantas pessoas erradas precisamos conhecer para finalmente conhecermos a certa? Quantas pessoas fingiram serem nossas almas gêmeas apenas para sugar um pouquinho das nossas esperanças de completude?
 Anualmente eu conheço umas quatro possibilidades de alma gêmea, e dessas quatro cinco não são ela!
Quando eu era criança e minha mãe contava a velha história de como ela havia conhecido o meu pai eu pensava que a coisa mais fácil do mundo era encontrar a nossa alma gêmea, mas na minha vida essa teoria sempre foi melhor no pensamento do que na prática.
Talvez eu seja uma repelente de alma gêmea, sei lá, só sei que é assim!
Estou tão desalmada hoje que não estou conseguindo encerrar esse texto criativamente, então para finalizar deixo apenas o pedido: Alma gêmea, qual o seu verdadeiro nome? 

14 março, 2015

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No ano de 2011, Sidy Batalha ficou em 2º lugar no 1º Concurso Assuense de literatura - categoria conto. "O Cientista" pode ser encontrado no livro Escrínio da Literatura Potiguar. p. 20




Biografia




Escritora, professora e ativista, Sidy Batalha, 26 anos, nasceu em São Miguel, Rio Grande do Norte. Começou a escrever ainda criança, e aos 14 anos de idade ganhou o seu primeiro prêmio advindo da escrita, uma redação sobre o Dia Internacional da Mulher, no concurso de redação promovido pela Secretaria de Educação da sua cidade de origem.

Aos 20 anos, com o conto “O cientista”, Sidy ficou em 2º lugar no primeiro concurso literário da Academia Assuense de Letras. No ano de 2012, o seu conto “Isso é guerra” sai na primeira edição impressa da Revista Cruviana, Mossoró/RN. Em novembro de 2014, o miniconto “Prisão transparente” é publicado pela Editora Poesias Escolhidas, no livro O Melhor de mim. No ano seguinte, Sidy recebe, pelo seu conto “A camisa azul xadrez”, menção honrosa da Academia Assuense de Letras. O mesmo conto é publicado no livro: Jovens contistas, grandes escritores – contos potiguares.

Em 2016, a escritora micaelense lança o seu primeiro romance, O Lago, que aborda a temática da violência contra a mulher. Nesse mesmo ano, recebe o título de mestra em Letras (Estudos literários) pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, mesma instituição na qual formou-se em Letras Português. É nesse ano, também, que o seu conto “O silêncio do inocente” fica em 2º lugar no Concurso João Batista Cascudo Rodrigues, da Academia Mossoroense de Letras (AMOL). Nesse mesmo período, o jornal O Mossoroense pública duas matérias sobre os encantos da escrita de Sidileide.

Sidy Batalha é uma sonhadora, nascida em uma família humilde, que vive sempre em metamorfose. Uma louca lúcida que sente a vida gritando nos cantos, conciliada a uma imaginação cintilante. Por meio desse grito, busca revelar “a dor que deveras sente” de amor, de angústia, de perda e de esperança.


       

Vídeo Vencedor da Campanha Consumo Consciente da Água.

O poema "Á gota d'água" de Sidy Batalha foi feito especialmente para o vídeo do Evandro Nogueira, vencedor do Concurso de Vídeo promovido pela Coordenação do Projeto Leão Cidadania - Faculdade Leão Sampaio/ Juazeiro do Norte CE, com a temática "Consumo Consciente da água". Parabéns ao amigo Evandro Nogueira pela criatividade e expressividade, o seu trabalho é sempre lindo!