03 janeiro, 2015

O não milagre de hoje.






Estive guardando essas últimas palavras para um último milagre,
 Mas agora eu não tenho certeza se ele acontecerá um dia.

“Amanhã eu vou encontrar o amor da minha vida, ou apenas outro idiota”.
“Por que você é sempre tão pessimista?”
“Na verdade, sou realista!”

Faz duas horas que estou sentada em uma mesa, esperando um cara que não vem. É, levei um bolo, e não gostei do sabor do recheio. Agora, é a hora em que a minha amiga me telefona para saber como foi o encontro, e surpreendida com a resposta exclama um “Ai, como é que um homem pode te dar um bolo?” Como se eu fosse uma mulher milimetricamente perfeita, e nenhum homem pudesse não me querer. Inocência dos amigos.
Sentada nessa mesa, sinto-me constrangida e infelizmente infeliz. Não foi hoje que o milagre do amor surgiu na minha vida, e nem sei se vai aparecer um dia, começo a acreditar que não fui feita para ninguém. Que pensamento triste, mas, ao mesmo tempo tão verdadeiro.
Eu odeio quando um cara destrói a minha autoestima, principalmente um que eu não conheço. E é nesse momento em que eu preciso entender o porquê de nós mulheres padecemos tanto com essas ânsias tolas que nunca passam. Sempre esperando algo mágico, um amor que nunca vem, que não apareceu na fila da padaria ou na do supermercado, nem naquela festa bacana que você foi no fim de semana. Por que nos mulheres temos que criar os cenários e as historinhas imaginárias em nossas mentes tolas e românticas? Ou, por que passamos horas em frente a um espelho escolhendo a roupa perfeita para um encontro jamais perfeito.
Deve ser porque todo esse ritual aparentemente simples e bobo faz parte da magia da alma feminina. Sem esse maldito desejo de encontrar um cara legal na próxima esquina que você vira indo ou vindo do seu trabalho, não haveria a esperança da sua existência fazer parte de outra existência.
De quem é a culpa da não morte da esperança? Sua, minha, ou da Disney? Não sei, só sei que estou me dando ao luxo de ser tola pela primeira vez no ano, enquanto uma mulher que estar sentada na mesa ao lado conta para a amiga sobre o amor que tudo espera, que tudo suporta, que tudo... blá blá blá, a vá!


Tá na hora de levantar dessa mesa e voltar para casa, ouvir dos amigos o eterno clichê “Isso passa” “Um dia aparece”. Sim! Eles tem toda a razão, um dia esse sentimento de falta vai passar e algo muito triste vai acontecer, eu não vou mais ter a esperança de amar ninguém! 

*Texto inspirado no desabafo de uma amiga. 

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