22 dezembro, 2014

Batalha tortuosa



Pude encontrar em plagas remotas,
Outrora tidas pela miséria e pela morte,
Beleza tal que não se vê via
Nem na mais vívida e abundante
Das terras sobre as quais um dia
Pousaram os pés de tão pobre peregrino.

Também são raras as vezes
Privilégio tão sublime dado aos olhos
Míopes e cansados de um peregrino indgino
Pousar sobre tão majestosa forma
Tão bela quanto pura
E quanto mais inócua tanto mais seduzente.

Qual foi não foi a surpresa,
A constatação de tão grande ironia
Foi que aos olhos e à alma,
Por onde se possui o espetáculo musical das sensações,
Ao seu alcance tivesse estado,
Porém além do tato essa mesma experimentação.

Carne intocável,
Alma pungível.

Seu nome é belicoso
Evoca heróicas memórias
Muito embora sua natureza
Seja tão doce tão gentil
Que violência beligerante alguma
Nem o mais heróico dos contos fantásticos
Podem romper em magnanimidade.

O peregrino vê e se rende
Diz a si mesmo: “Impossível um dia possuir tão divina beleza”
Ele não mente a si mesmo.

Mesmo que a vontade o fizesse superar
As mazelas da desesperança da alma,
Ainda sim ter-se-ia de transpôr longa distância
Onde se vê e se constata
“Há vida e morte por todo o canto,
Também beleza e fealdade
Glória e desgraça,
Mas que aqueles que tiverem a sorte de encontrá-las
Que também o destino conceda
Que possam experimentá-las na carne.”

Perdi uma batalha que não pelejei,
Nem assim pretendo.
Cabe ao mais valioso soldado
Os louros da vitória.

Mas ao que se nega a lutar,
A mais amarga derrota.


De: Victor Moreno
Para: Sidy Batalha

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