04 dezembro, 2014

A verdade sobre Dezembro






                                                                                     Imagem: fonte Google Imagem




                                                                  Crônica escrita no ano de 2010

Nunca amei dezembro, é um mês frio, triste, solitário. Contudo, para não ser injusta, admito já ter sido apaixonada por dezembro, principalmente, porque era o mês no qual ele retornava para mim cheio de carinho e promessas. Quando dezembro chegava, eu sentia um gosto de felicidade a transbordar no meu peito a partir do momento em que eu respirava o mesmo ar que ele, mas essa sensação de acreditar que era amada e amava acabou há mais de sete anos, e quando ele volta, agora, é como se não tivesse existido nada, sem mãos frias, suspiros, coração acelerado e sonhos. Ele é apenas um nada no meio de um novo dezembro.

Dezembro também era amado quando eu era criança. Sempre no início do mês montávamos a árvore de natal, eu, meu irmão e nossa mãe. Era uma árvore verde e pequena que fazia parte da casa apenas nesse mês. Era a mesma árvore que minha mãe, quando criança, montava junto com a minha avó, um ritual familiar magnífico, apesar de simples. A arvorezinha dava todo um toque de segundo mundo quando as luzes começavam a piscar ao seu redor, nesse momento, a menininha “eu” sentava-se ao lado daquela belíssima iluminação e escrevia cartas ao Papai Noel pedindo presentes os quais nunca recebi, e foi assim, cansada de esperar milagres acontecerem que descobri que o bom velhinho não existe.

O final do ano também era esperançoso quando eu conhecia um cara e imaginava que nossas vidas juntas durariam mais do que o frio, mas dezembro acabava e junto com ele a paixão que nunca teve a oportunidade de se tornar amor. Nossa! Como dezembro era simbólico para mim, pois,  nesse período meus avôs faziam bolos e toda a família reunia-se para prová-los, mas meus avôs morreram de câncer e junto com eles a tradição que nem chegou a acontecer mais de três vezes.

Infelizmente, eu perdi a essência desse mês, pois não consigo vivenciar o verdadeiro significado do natal, não celebro a vida ou a compaixão, para mim é apenas mais um mês do calendário. É quando saio às ruas e tudo é feito de luzes brilhantes, de laços, de fitas, de bonecos brancos e vermelhos. É o mês que adoeço e fico de cama. É quando respiro a dor de possuir lembranças. 

Todo ano sinto como se dezembro me matasse e eu renascesse em janeiro, é um ano que acaba, é, é... É o fim de 365 dias de sonhos não realizados, mas também é a chance de recomeçar do zero. E o que eu espero de dezembro este ano? Menos dor, por favor!

                                 

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