28 dezembro, 2014

2014, e os desamores.


Imagem: Elena Vizerskaya


E todas as pequenas coisas que nós dissemos
Não estão no meu coração, estão em minha cabeça
Essa é a hora de dizer adeus
Vamos colocá-lo para descansar, sim, deixá-lo morrer. ♪♫

Antes de começar a descaroçar as feridas emocionais desse ano, parafraseio Fernando Pessoas “A minha escrita chega a fingir que é dor o que deverás sente”. Para afirmar que, a minha vida não gira em torno da busca incessante do amor, mas seria bom se ele chegasse um dia. Para mim, o mais importante é, e sempre foi, a minha vida profissional, esse sonho infantil, adolescente e adulto de ser escritora e de lançar o meu livro interminável, mas, no meio do caminho dessa longa jornada de sonhar, eu amo. Amo, sofro e escrevo. Quer melhor inspiração para a escrita do que um amor? Todas as formas de amor são inspiradoras e doloridas, essa nossa necessidade de voltar para casa desejando infinitamente ser de alguém é que me permite escrever.
Falta exatamente três dias para o fim do ano, esse momento maravilhoso em que você aproveita para pensar, lembrar e refletir sobre os 365 dias que não voltam mais. Todos os anos, á meia noite dos dias trinta e um de dezembro, eu sempre desejo as mesmas coisas: Que ninguém que eu ame morra, ainda. Saúde, confiança, oportunidades. Agradeço pela família e amigos que tenho, e por último, mas não menos importante – peço que esse seja o ano em que amarei e serei amada. Mas, infelizmente nunca é o ano para isso.
Tudo bem, eu gosto de ser “sozinha”, mas ás vezes sinto falta da grandiosidade que é congelar na frente de alguém. Da vontade de pedir que o tempo pare só pra viver eternamente a poesia da paixão. Ah, mas amor não deve ser para mim, talvez o meu amigo tenha a total razão “seus amores são seus romances escritos”. É, eu acho que é exatamente isso, mas nem por isso eu deixo de procurar o amor não ficcional. Maldita essa tal de esperança que é a última que morre. A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente, as minhas não! Falam sempre do amor que nunca viveu.
2014 começou com uma possibilidade de amor, eu me apaixonei a primeira vista pela beleza dele de astro de Hollywood, depois viajei quatro vezes milhas para encontrá-lo. Eu não congelava na frente dele, mas sentia as famosas borboletas no estômago, que acabaram quando ele disse que não estava preparado para ser de alguém, ou ser “meu”, porque no outro dia ele estava namorando com a garota que era a sua “amiga”. Teve também a tentativa de reconciliação com o ex “maluco” que nunca saiu definitivamente da minha vida.  Após um jantar romântico e a discussão sobre o ex-relacionamento pela 352321736273 vez, ele simplesmente disse “Sabe, estive pensando, não quero mais, sou um cara solitário, frio, blá blá blá”. Ok, obrigada por me tirar definitivamente da sua vida. Sério! Muito obrigada! Já era hora dessa “relação” chegar ao fim. Onde eu assino o contrato de NUNCA MAIS APAREÇA NA MINHA VIDA?
Também, me “apaixonei” (ok, não foi paixão, paixão, acho que interesse? É.. foi interesse, um interesse que me deixava sem palavras) pelo novo vizinho do novo apartamento na cidade quase nova. Nosso romance existiu apenas na minha cabeça, como tantos outros, e acabou quando ele disse friamente e ironicamente que eu era uma louca, doida barrida, crazy woman. É, eu sou sim maluca, literariamente e ficcionalmente afetada, se você não me aceita assim, então tchau coisinha besta, vou escrever sobre outro cara.
Mas, nenhuma dessas tentativas se aproxima da dor que senti ao dizer pela primeira vez em voz alta que amava uma pessoa. Prestem atenção no que eu vou lhes dizer... ANTES DE DIZER A ALGUÉM QUE O AMA, VERIFIQUE SE O AMOR ESTÁ PARADO NO MESMO ANDAR QUE O SEU.
Então, eu amei esse homem durante longos, paranoicos e sofridos cinco anos, até o belo dia em que  eu decidi que o amor tinha vencido essa batalha sentimental. Tá, tá, você venceu, amor, eu o amo e já é hora dele saber disso.
- Eu te amo!
- Eu também a amo, mas não da mesma forma. Desculpe-me!

Brá! Acorda do doce sonho de ser amada. Doeu não foi? Ah, sim! Doeu pra C*$#&5$, mas você já está acostumada com os desamores. É, eu estou acostumada a ser solitariamente sozinha. Sorria, porque vem ai um ano novinho em folha, com a esperança de ser o ano do amor. Um ano novo, eu com o mesmo coração idiota e a mesma ilusão de  sempre. Coisa chata, não?

22 dezembro, 2014

Beijo de Cigana




Creio que beijo de cigana deve ser oblíquo
não tão longínquo
que a vontade não possa chegar...

De: Marcos Luz
Para: Sidy Batalha

Ela



Às voltas no mundo
 Ao bater no fundo
 Ví olhos ciganos.

 Olhos sempre mudos
 Pelos dois segundos
 Que ainda não usamos.

 Se olhasse três
 Só por uma vez
 Lhe descobriria.

 Ou talvez morresse
 Antes que vivesse
 Pranto ou alegria.


De: Gláuber Ferreira
Para: Sidy Batalha

O frescor da cigana


Imagem: Mahafsoun

Vi o veneno dourado num frasco alongado, e cintilava, me parecia um chamado silencioso, sinuoso e cheio de volúpia, dizia-me: beba... Tentei resistir, mas já havia me deixado capturar pela beleza e já hipnotizado comecei a sentir a fragrância embutida de uma paixão lasciva que me arrastava mais e mais... Revirei a tampa e senti mais forte e dominante sobre mim todo aquele desejo, tomou minha alma e me arrancou toda a força. Levei o brilho dourado a boca na ânsia de sua doçura ao tocar meus lábios... E num fugaz momento, suspiro e, no menor toque sito o êxtase... Caio entorpecido e sito um arco-íris tocar todo meu corpo, sinto uma enorme leveza...
minha alma silenciosamente me abandona, mas nada mais importa! Fui morto pelo desejo que me consumia, agora consumo-o eternamente!

De: Erick Silva
Para: Sidy Batalha

A menina do retrato



Contemplei a beleza do sol,
seus raios turvos matinais.
Inserido por entre matagais,
rompendo o orvalho da matina.
Cintilante no brilho da retina,
um misto de concreto e abstrato.
Celebrei, mais digo com clareza
nada disso se iguala tal beleza,
composta na menina do retrato.

Nas obras pintadas por Monet,
um mestre do Impressionismo.
Salvador Dali, no Surrealismo,
com esforço, perspicácia e pincel
inspirado nas coisas lá o céu.
No intimo da arte e seu extrato,
rabiscou e pintou com destreza.
Desistiu, não encontrou a pureza,
composta na menina do retrato.

Mergulhei por entre oceanos,
vi recifes esculpidos por corais.
Viajei entre espaços siderais
contemplando as constelações,
são dignas de causar impressões.
Casaria, firmava algum contrato!
Mas o brilho me causou estranheza,
incandescem, por não ter a sutileza
dos olhos da menina do retrato.

Seus lábios instigam a tentação.
Seu corpo esculpido com gracejo
suas curvas sinalizam pro desejo
Sua boca convida-me a loucura
seu olhar denuncia sua ternura.
Sua pele transpirando o substrato 
denunciando toda a delicadeza
o sentido maioral de sua beleza
contemplado na menina do retrato.

De: Chico C. 
Para: Sidy Batalha

Batalha tortuosa



Pude encontrar em plagas remotas,
Outrora tidas pela miséria e pela morte,
Beleza tal que não se vê via
Nem na mais vívida e abundante
Das terras sobre as quais um dia
Pousaram os pés de tão pobre peregrino.

Também são raras as vezes
Privilégio tão sublime dado aos olhos
Míopes e cansados de um peregrino indgino
Pousar sobre tão majestosa forma
Tão bela quanto pura
E quanto mais inócua tanto mais seduzente.

Qual foi não foi a surpresa,
A constatação de tão grande ironia
Foi que aos olhos e à alma,
Por onde se possui o espetáculo musical das sensações,
Ao seu alcance tivesse estado,
Porém além do tato essa mesma experimentação.

Carne intocável,
Alma pungível.

Seu nome é belicoso
Evoca heróicas memórias
Muito embora sua natureza
Seja tão doce tão gentil
Que violência beligerante alguma
Nem o mais heróico dos contos fantásticos
Podem romper em magnanimidade.

O peregrino vê e se rende
Diz a si mesmo: “Impossível um dia possuir tão divina beleza”
Ele não mente a si mesmo.

Mesmo que a vontade o fizesse superar
As mazelas da desesperança da alma,
Ainda sim ter-se-ia de transpôr longa distância
Onde se vê e se constata
“Há vida e morte por todo o canto,
Também beleza e fealdade
Glória e desgraça,
Mas que aqueles que tiverem a sorte de encontrá-las
Que também o destino conceda
Que possam experimentá-las na carne.”

Perdi uma batalha que não pelejei,
Nem assim pretendo.
Cabe ao mais valioso soldado
Os louros da vitória.

Mas ao que se nega a lutar,
A mais amarga derrota.


De: Victor Moreno
Para: Sidy Batalha

19 dezembro, 2014

O quarto branco.



É muito raro eu me sentir confortável dentro desse quarto branco, mesmo quando ele não está aqui. Gosto bastante desse quarto quando está vazio. A cama ainda desarrumada como se ele tivesse levantando-se há pouco tempo, mas há dias ele não aparece. Estou sozinha.
Passo horas deitada na cama, esperando o crepúsculo chegar para que eu possa sair do quarto branco. Sabe, eu não gosto da cor sem vida dessas paredes, pois quando fico as olhando fixamente, como estou fazendo agora, o branco torna-se quase um amarelo cor de vômito.
Quando canso de olhar para as paredes fito o teto ou o chão, eles também são brancos. Tudo nesse quarto é branco, menos as borboletas, elas são verdes e rosas, mas essas borboletas não voam, estão pousadas nessas paredes há anos, sem movimentos. As borboletas me distraem e oferece um colorido pequeno a toda essa brancura.
Vez ou outra levanto da cama e olho pela janela do quarto. A janelinha tem uma grande, por isso não posso me debruçar sobre ela. Seguro a grade e fico olhando a parede cinza do muro do vizinho, meu horizonte se restringe aos tijolos.
            Ás vezes, quando não estou cansada, escrevo um pouco a respeito dele, mas choro muito, fico exausta e paro de escrever. Eu choro por qualquer coisa e quase o tempo todo. Coisa de mulher louca, frisava ele.
            Hoje quem apareceu para me visitar foram elas. Ficaram paradas no meio do quarto, julguei que assim como eu, elas estavam admirando toda aquela brancura. Uma delas usava o cabelo preso na nuca e mudou a visão das paredes para o meu rosto quando me ouviu chamá-la. Ela sorriu - um riso antigo, porém conhecido. Reparei na sua magreza, parecia que não comia há anos, seu rosto jazia envelhecido, mas ainda era doce e seus cabelos ainda cheiravam a jasmim.
A outra continuava elegante, equilibrando-se no salto alto, caminhou pelo quarto, parou em frente ao espelho para arrumar a aba do vestido preto. Ela sempre usava roupas de tonalidade escura, como se vivesse em um luto eterno.
Quando ela me olhou tive que colocar a mão em frente aos olhos, pois o seu batom vermelho queimava as minhas pupilas, era uma cor viva demais para meus olhos acostumados apenas ao branco.
Elas sentaram-se ao meu lado na cama e falaram sobre ele. Eu não queria ouvir nada sobre ele e sobre a sua vida fora desse quarto branco. Não queria saber como ele tinha virado infinito sem mim.
Certa vez, deitados na cama, fitando a pequena rachadura no teto, ele desenhou as iniciais dos nossos nomes no ar com o seu dedo indicador e falou que se as virássemos de lado e as juntássemos elas dariam forma ao símbolo do infinito, para sempre juntos. Mas ele não aguentou toda essa brancura e se foi.
Não quero lembrar ele.
Não posso.
Não consigo.
Eu morro.
Por que elas tendem a falar sobre ele?
E por que é tão difícil eu dizer qualquer coisa a elas e pedir para irem embora?
            Eu quero que elas me deixem em paz, porque eu gosto de ficar sozinha a admirar essas paredes brancas que são apenas minhas, não gosto de dividir a minha brancura com ninguém. Sou egoísta. Claro que eu não era quando ele estava aqui, mas agora sou.
            O dia chega ao fim e elas somem, como efeito de mágica. Agora posso escrever um pouco. Escreverei sobre a visita delas, sobre o brilho fugitivo de seus olhares e sobre as letras em forma de infinito. No entanto, não consegui movimentar meus dedos no papel, perdi toda a inspiração ao levantar da cama. Estou mais que exausta, ou pior, triste.
            Minutos depois, volto a deitar e a olhar para a parede branca. As borboletas continuam paradas sem se movimentarem. Irei arrancá-las. Elas estão usando o meu branco sem permissão. Quando eu levantar da cama darei um fim nelas! Está decidido!
Está tudo tão silencioso e meio escuro, acho mesmo que a hora do crepúsculo chegou. Sendo assim, já posso levantar, cruzar o corredor, e, por fim, descer as escadas segurando no corrimão branco, mas antes preciso arrumar o meu cabelo; ele não gostava que eu saísse do quarto com a madeixa bagunçada. Ele sempre foi tão bom para mim, ensinou-me a me embelezar como uma dama. Prendo o meu cabelo em um coque, depois troco de roupa, me desfaço da roupa velha e branca e visto um belo vestido preto. Meu reflexo no espelho parece tão pálido, minha pele também precisa de uma cor. Avermelho os meus lábios e as bochechas. Agora pareço uma pessoa normal e saudável. Ele vai amar me ver assim.
Desço as escadas segurando no corrimão, minha mão é tão pálida que chego a pensar que ela é parte integrante daquele ferro. Fora das paredes brancas sinto o frio congelante, esfrego minhas mãos enquanto caminho até o portãozinho de ferro, é só abri-lo e estarei fora da brancura.
Seguro o portão. Uma mão toca a minha. É ele. O olho atônita. Ele me diz que é preciso que eu fique sozinha, que não saia. “É muito perigoso lá fora”- murmura ele. Sim, eu sei que é perigoso, pois se eu sair terei que viver, o que é arriscado demais.
Sorrio para ele que não retribui, apenas continua falando que é melhor eu permanecer onde estou.
Ele beija-me e se vai.
Permaneço parada em meio aos muros brancos, segurando o portão, presa em um movimento em que preciso escolher se fico ou se vou, porque não é possível eu ficar para sempre estática segurando esse portão. Nada faço, permaneço imóvel, como ele me instruiu. Até que o portão se fecha sobre mim e esmaga-me dissolvida e intocável. 

           



P.S eu não te amo


Imagem: Unkown Artist



Sou uma garota meio fria, mas não quero viver sufocada com a amargura de uma ignorância, por isso te escrevo. Aprendi que a vida e o tempo a gente entrega as lembranças, assim, a todas elas, sejam doces ou amargas, todas contém o susto abominável de vida. Eu sou a garota que permanece até o fim das lembranças, por isso, nesse momento me ouvir deve ser muito inesperado. Talvez eu não consiga alcançar por meio das palavras tudo que eu quero verdadeiramente e infinitamente te falar. Quem me conhece sabe que gosto de ser sozinha, uso a solidão para refletir, mas hoje me encontro sozinha de uma maneira diferente. Estou sentada em uma cadeira no canto de um corredor branco e frio, sentindo uma dorzinha no peito esquerdo, não é dor de amor, é física mesmo.
Estou segurando um espelho, vejo nele o seu reflexo, você sentado em uma cadeira no meio de um corredor branco e frio. Naquele dia em que você sentiu uma dorzinha no peito esquerdo, não era dor de amor...
Naquela noite eu não segurei a sua mão, me desculpe por não tê-la segurado. Você pode me perdoar por isso? Pelo único dia em que eu não segurei a sua mão? Desculpe-me, mas eu não conseguia mais viver ao lado do meu assassino. Só Deus sabe quantas vezes eu me mantive firme enquanto o iceberg quebrava os meus ossos lentamente. Detesto o amargo, mas minha boca provou todos os seus sabores numa degustação breve, mas voraz. Talvez eu e você tenhamos sido cedo demais. Talvez eu você tenhamos sido tarde demais. Não tem como saber, só imaginar o cedo e o tarde.
Confesso, sempre pensei na minha dor, na dor de quem é abandonado, nunca pensei na sua dor, a de quem abandona. Eu nunca abandonei ninguém, por isso não saberei falar sobre ela. Não segurar a sua mão naquela noite não foi necessariamente um abandono, foi a minha tentativa de salvação. Uma tentativa sem sucesso! Eu morri naquele dia. No meio de uma história sem glória ou heróis, quem sabe... até sem amor.
Estou escrevendo hoje apenas para te pedir a minha mais sincera desculpa. Agora, sem máscara, sem personagens, sem jogos. Apenas eu, a garota do “sim” te pedindo desculpas, por ter sido fria, por não ter de dado colo, por não ter segurado a sua mão com mais firmeza, e principalmente por não ter sido o seu “sim” mais e mais vezes.  Eu sou essa mistura de frieza, maluquice, drama e fantasia, mas preciso que você saiba, que  naquela época eu te via como o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que cantava desvairadamente a vida em versos curtos, enquanto você assobiava canções infinitas.
Era uma loucura tudo. Nós dois. Graças a Deus chegamos ao fim do que não tem fim.
Agora, cruzo as pernas ardilosa, guardo a caneta no bolso da calça, o papel branco vai junto. Meu coração ainda dói, e vai doer todas ás vezes em que eu perturbada tentarei localizar o extremo disso que chamamos de amor. Seremos, eu e ele, o infinito das mãos vazias em meio a corredores frios. Sem amor, só a loucura.
P.S – Eu te gosto muito, o problema é que eu não te amo mais.


07 dezembro, 2014

Sim, Senhor!





“Eu gostei de você porque você era o meu sim no meio de tantos nãos”
Sim, eu posso ficar acordada e segurar a sua mão até você adormecer. Sim, eu posso fugir com você no meio da noite para um deserto de almas. Sim, eu posso te segurar forte como se fosse meu mundo. Você é um turbilhão de frieza, mas, Sim! Eu posso te amar.
Certa vez, um amor me disse que uma das partes que ele mais gostava em mim era o “Sim”. “- Você nunca me dizia não, e isso me emocionava”. Realmente, eu sempre fui o sim para todas as pessoas que precisaram infinitamente de mim. Eu abracei quando não queria abraçar. Sair, viajei, dancei quando só queria ficar trancada dentro do meu quarto escrevendo, porque eu tenho um lado meio melodramático que não consigo controlar. Eu sempre estive lá sendo o sim para muitas pessoas enquanto ninguém era o meu sim. Eu sempre estive lá preenchendo os corações de amor, enquanto o meu morria vázio.
Mas eu sei, não pense que eu não sei que todos os meus sins foram tentativas de não sentir dor. Eu sou assim, eu não sei ser o não – você sabe o que eu quero dizer. De dias, que nem o hoje que a revolta vem e eu tento saber o porquê que alguém não pode ser o meu sim. Eu sou um turbilhão de frieza, mas, não! Você não pode me amar. Não, eu não posso ficar acordado e segurar a sua mão até você adormecer. Não, eu não posso fugir com você para um deserto de almas desertas. Não, eu não posso te segurar forte como se fosse meu mundo. Não, não, e não! Desculpe-me, mas eu não consigo mais ser o sim, o seu sim ou o de qualquer outro. A minha voz estremece no meio da garganta, falha e o sim não sai mais. Mas, você pode sim ser o meu sim. Só basta dizer. 

04 dezembro, 2014

A verdade sobre Dezembro






                                                                                     Imagem: fonte Google Imagem




                                                                  Crônica escrita no ano de 2010

Nunca amei dezembro, é um mês frio, triste, solitário. Contudo, para não ser injusta, admito já ter sido apaixonada por dezembro, principalmente, porque era o mês no qual ele retornava para mim cheio de carinho e promessas. Quando dezembro chegava, eu sentia um gosto de felicidade a transbordar no meu peito a partir do momento em que eu respirava o mesmo ar que ele, mas essa sensação de acreditar que era amada e amava acabou há mais de sete anos, e quando ele volta, agora, é como se não tivesse existido nada, sem mãos frias, suspiros, coração acelerado e sonhos. Ele é apenas um nada no meio de um novo dezembro.

Dezembro também era amado quando eu era criança. Sempre no início do mês montávamos a árvore de natal, eu, meu irmão e nossa mãe. Era uma árvore verde e pequena que fazia parte da casa apenas nesse mês. Era a mesma árvore que minha mãe, quando criança, montava junto com a minha avó, um ritual familiar magnífico, apesar de simples. A arvorezinha dava todo um toque de segundo mundo quando as luzes começavam a piscar ao seu redor, nesse momento, a menininha “eu” sentava-se ao lado daquela belíssima iluminação e escrevia cartas ao Papai Noel pedindo presentes os quais nunca recebi, e foi assim, cansada de esperar milagres acontecerem que descobri que o bom velhinho não existe.

O final do ano também era esperançoso quando eu conhecia um cara e imaginava que nossas vidas juntas durariam mais do que o frio, mas dezembro acabava e junto com ele a paixão que nunca teve a oportunidade de se tornar amor. Nossa! Como dezembro era simbólico para mim, pois,  nesse período meus avôs faziam bolos e toda a família reunia-se para prová-los, mas meus avôs morreram de câncer e junto com eles a tradição que nem chegou a acontecer mais de três vezes.

Infelizmente, eu perdi a essência desse mês, pois não consigo vivenciar o verdadeiro significado do natal, não celebro a vida ou a compaixão, para mim é apenas mais um mês do calendário. É quando saio às ruas e tudo é feito de luzes brilhantes, de laços, de fitas, de bonecos brancos e vermelhos. É o mês que adoeço e fico de cama. É quando respiro a dor de possuir lembranças. 

Todo ano sinto como se dezembro me matasse e eu renascesse em janeiro, é um ano que acaba, é, é... É o fim de 365 dias de sonhos não realizados, mas também é a chance de recomeçar do zero. E o que eu espero de dezembro este ano? Menos dor, por favor!