12 abril, 2014

Azul


Faz vinte minutos que nos despedimos e eu já morro de saudade de você. Sinto uma dor fininha no peito esquerdo toda vez que você vai embora e eu tenho que te abraçar rápido para que você não sinta a mesma dor. Eu tenho saudade de dezenas de coisas suas, nossas, saudade de coisas que nem chegaram a acontecer e nem sei se um dia irão.
Nossos momentos juntos são tão raros, são momentos leves, bons, profundos, mas ao mesmo tempo dolorosos.  A dor é olhar intensamente para você e saber que vamos seguir para sempre assim, entrecortados. Sendo tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes.
A dor é vê que a cor azul te cai tão bem e fingir que você está usando apenas mais uma camisa de uma cor qualquer. Eu queria do fundo desse meu coração maluco que a gente desse certo. Que eu nunca te visse com outra. Que você nunca tivesse outra. Eu queria que você fosse só meu, para sempre. Que essa sua blusa azul fosse minha, para sempre.
Que eu nunca sentisse raiva de você. Que você nunca sentisse raiva de mim. Eu queria que você nunca estragasse, por favor, não estraga, tá? Por que se você estragar eu morro. Se você tiver outra eu morro. Se você não for para sempre meu eu morro, morro e morro. Morro de tanta dor que não caberá apenas no peito e precisará aloja-se nos outros órgãos do meu corpo, deixando-me frágil ao extremo.
Eu sinto uma saudade imensa do que a gente não foi, do que a gente não chegará a ser. Sinto uma saudade imensa de todos esses abraços e de todas essas dores que me paralisam diante de você.
Sinto muito por nunca ter te falado sobre essas coisas de saudade e de dores, ou que a cor azul cai bem em você. Mas essas coisas não são dizíveis, são coisas que não falamos costumeiramente porque não achamos necessário serem ditas, apenas sentidas. Sinto muito por você nunca ter me falado sobre essas coisas de saudade e dores, ou que alguma cor cai bem em mim. Eu sinto tanto, tanto, tanto, que paro de sentir pra não morrer. 

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