19 março, 2014

Amor?



Na manhã em que o amor morreu acordei com dor de cabeça por falta de sono. Eu estava um lixo, cabelo desgrenhado, rosto amassado, olheiras profundas. Peguei o celular embaixo do travesseiro, minha mão tremeu e ele caiu no chão. O número trinta gritava na tela, o trinta sempre aparecia quando você me enviava uma mensagem, deve ser por isso que odeio o 3 e 0 juntos. Fiquei com receio de ler a mensagem, mas sem saber como, expliquei para mim mesma que finalmente tinha chegado a hora do fim. The End. Game over, baby!
A mensagem continha letras, virgulas, símbolos, verbos que burlavam dores impessoais no meu peito. Tudo bem, eu conseguiria lidar com aquilo, já havia lidado tantas outras vezes, conhecia os sintomas do fim decorados como versos de um poema sem rimas.
Na manhã que o amor morreu conversei com um estranho, ele disse que era melhor que a gente não se visse mais “Cada um segue a sua vida, ok?” OK, VAI PELA DIREITA QUE EU VOU PELA ESQUERDA. Eu nem te amava, mas tive que chorar, chorei o dia toda, a semana toda, o mês todo, o ano todo. Eu nem te amava, mas relia as suas cartas, fuçava as suas redes sociais. Eu nem te amava, mas doeu tanto, tanto que eu preferia cortar os meus pulsos a sair na rua para ver o sol. Eu nem te amava, mas tive que quebrar o frasco do perfume que você me presenteou, queimar suas cartas e fotos para que nenhuma lembrança sua voltasse a minha mente perturbada.
Na manhã em que o amor morreu descobri que no final do jogo é tudo a mesma merda, com amor ou sem amor. Eu nem te amava, mas se eu um dia eu te encontrar por acaso o meu coração vai disparar minutos antes da indiferença chegar.
O amor que não era amor acabou em outubro, caiu do galho como a folha de uma árvore no outono. Fiquei com preguiça de sofrer pelo o que não era amor e matei qualquer saudadezinha que crescesse no meu peito.
Eu nem te amava, mas namorei com você porque a vida é uma grande piada, nunca ficamos com quem realmente amamos, apenas com a cópia dele.



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