28 dezembro, 2014

2014, e os desamores.


Imagem: Elena Vizerskaya


E todas as pequenas coisas que nós dissemos
Não estão no meu coração, estão em minha cabeça
Essa é a hora de dizer adeus
Vamos colocá-lo para descansar, sim, deixá-lo morrer. ♪♫

Antes de começar a descaroçar as feridas emocionais desse ano, parafraseio Fernando Pessoas “A minha escrita chega a fingir que é dor o que deverás sente”. Para afirmar que, a minha vida não gira em torno da busca incessante do amor, mas seria bom se ele chegasse um dia. Para mim, o mais importante é, e sempre foi, a minha vida profissional, esse sonho infantil, adolescente e adulto de ser escritora e de lançar o meu livro interminável, mas, no meio do caminho dessa longa jornada de sonhar, eu amo. Amo, sofro e escrevo. Quer melhor inspiração para a escrita do que um amor? Todas as formas de amor são inspiradoras e doloridas, essa nossa necessidade de voltar para casa desejando infinitamente ser de alguém é que me permite escrever.
Falta exatamente três dias para o fim do ano, esse momento maravilhoso em que você aproveita para pensar, lembrar e refletir sobre os 365 dias que não voltam mais. Todos os anos, á meia noite dos dias trinta e um de dezembro, eu sempre desejo as mesmas coisas: Que ninguém que eu ame morra, ainda. Saúde, confiança, oportunidades. Agradeço pela família e amigos que tenho, e por último, mas não menos importante – peço que esse seja o ano em que amarei e serei amada. Mas, infelizmente nunca é o ano para isso.
Tudo bem, eu gosto de ser “sozinha”, mas ás vezes sinto falta da grandiosidade que é congelar na frente de alguém. Da vontade de pedir que o tempo pare só pra viver eternamente a poesia da paixão. Ah, mas amor não deve ser para mim, talvez o meu amigo tenha a total razão “seus amores são seus romances escritos”. É, eu acho que é exatamente isso, mas nem por isso eu deixo de procurar o amor não ficcional. Maldita essa tal de esperança que é a última que morre. A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente, as minhas não! Falam sempre do amor que nunca viveu.
2014 começou com uma possibilidade de amor, eu me apaixonei a primeira vista pela beleza dele de astro de Hollywood, depois viajei quatro vezes milhas para encontrá-lo. Eu não congelava na frente dele, mas sentia as famosas borboletas no estômago, que acabaram quando ele disse que não estava preparado para ser de alguém, ou ser “meu”, porque no outro dia ele estava namorando com a garota que era a sua “amiga”. Teve também a tentativa de reconciliação com o ex “maluco” que nunca saiu definitivamente da minha vida.  Após um jantar romântico e a discussão sobre o ex-relacionamento pela 352321736273 vez, ele simplesmente disse “Sabe, estive pensando, não quero mais, sou um cara solitário, frio, blá blá blá”. Ok, obrigada por me tirar definitivamente da sua vida. Sério! Muito obrigada! Já era hora dessa “relação” chegar ao fim. Onde eu assino o contrato de NUNCA MAIS APAREÇA NA MINHA VIDA?
Também, me “apaixonei” (ok, não foi paixão, paixão, acho que interesse? É.. foi interesse, um interesse que me deixava sem palavras) pelo novo vizinho do novo apartamento na cidade quase nova. Nosso romance existiu apenas na minha cabeça, como tantos outros, e acabou quando ele disse friamente e ironicamente que eu era uma louca, doida barrida, crazy woman. É, eu sou sim maluca, literariamente e ficcionalmente afetada, se você não me aceita assim, então tchau coisinha besta, vou escrever sobre outro cara.
Mas, nenhuma dessas tentativas se aproxima da dor que senti ao dizer pela primeira vez em voz alta que amava uma pessoa. Prestem atenção no que eu vou lhes dizer... ANTES DE DIZER A ALGUÉM QUE O AMA, VERIFIQUE SE O AMOR ESTÁ PARADO NO MESMO ANDAR QUE O SEU.
Então, eu amei esse homem durante longos, paranoicos e sofridos cinco anos, até o belo dia em que  eu decidi que o amor tinha vencido essa batalha sentimental. Tá, tá, você venceu, amor, eu o amo e já é hora dele saber disso.
- Eu te amo!
- Eu também a amo, mas não da mesma forma. Desculpe-me!

Brá! Acorda do doce sonho de ser amada. Doeu não foi? Ah, sim! Doeu pra C*$#&5$, mas você já está acostumada com os desamores. É, eu estou acostumada a ser solitariamente sozinha. Sorria, porque vem ai um ano novinho em folha, com a esperança de ser o ano do amor. Um ano novo, eu com o mesmo coração idiota e a mesma ilusão de  sempre. Coisa chata, não?

22 dezembro, 2014

Beijo de Cigana




Creio que beijo de cigana deve ser oblíquo
não tão longínquo
que a vontade não possa chegar...

De: Marcos Luz
Para: Sidy Batalha

Ela



Às voltas no mundo
 Ao bater no fundo
 Ví olhos ciganos.

 Olhos sempre mudos
 Pelos dois segundos
 Que ainda não usamos.

 Se olhasse três
 Só por uma vez
 Lhe descobriria.

 Ou talvez morresse
 Antes que vivesse
 Pranto ou alegria.


De: Gláuber Ferreira
Para: Sidy Batalha

O frescor da cigana


Imagem: Mahafsoun

Vi o veneno dourado num frasco alongado, e cintilava, me parecia um chamado silencioso, sinuoso e cheio de volúpia, dizia-me: beba... Tentei resistir, mas já havia me deixado capturar pela beleza e já hipnotizado comecei a sentir a fragrância embutida de uma paixão lasciva que me arrastava mais e mais... Revirei a tampa e senti mais forte e dominante sobre mim todo aquele desejo, tomou minha alma e me arrancou toda a força. Levei o brilho dourado a boca na ânsia de sua doçura ao tocar meus lábios... E num fugaz momento, suspiro e, no menor toque sito o êxtase... Caio entorpecido e sito um arco-íris tocar todo meu corpo, sinto uma enorme leveza...
minha alma silenciosamente me abandona, mas nada mais importa! Fui morto pelo desejo que me consumia, agora consumo-o eternamente!

De: Erick Silva
Para: Sidy Batalha

A menina do retrato



Contemplei a beleza do sol,
seus raios turvos matinais.
Inserido por entre matagais,
rompendo o orvalho da matina.
Cintilante no brilho da retina,
um misto de concreto e abstrato.
Celebrei, mais digo com clareza
nada disso se iguala tal beleza,
composta na menina do retrato.

Nas obras pintadas por Monet,
um mestre do Impressionismo.
Salvador Dali, no Surrealismo,
com esforço, perspicácia e pincel
inspirado nas coisas lá o céu.
No intimo da arte e seu extrato,
rabiscou e pintou com destreza.
Desistiu, não encontrou a pureza,
composta na menina do retrato.

Mergulhei por entre oceanos,
vi recifes esculpidos por corais.
Viajei entre espaços siderais
contemplando as constelações,
são dignas de causar impressões.
Casaria, firmava algum contrato!
Mas o brilho me causou estranheza,
incandescem, por não ter a sutileza
dos olhos da menina do retrato.

Seus lábios instigam a tentação.
Seu corpo esculpido com gracejo
suas curvas sinalizam pro desejo
Sua boca convida-me a loucura
seu olhar denuncia sua ternura.
Sua pele transpirando o substrato 
denunciando toda a delicadeza
o sentido maioral de sua beleza
contemplado na menina do retrato.

De: Chico C. 
Para: Sidy Batalha

Batalha tortuosa



Pude encontrar em plagas remotas,
Outrora tidas pela miséria e pela morte,
Beleza tal que não se vê via
Nem na mais vívida e abundante
Das terras sobre as quais um dia
Pousaram os pés de tão pobre peregrino.

Também são raras as vezes
Privilégio tão sublime dado aos olhos
Míopes e cansados de um peregrino indgino
Pousar sobre tão majestosa forma
Tão bela quanto pura
E quanto mais inócua tanto mais seduzente.

Qual foi não foi a surpresa,
A constatação de tão grande ironia
Foi que aos olhos e à alma,
Por onde se possui o espetáculo musical das sensações,
Ao seu alcance tivesse estado,
Porém além do tato essa mesma experimentação.

Carne intocável,
Alma pungível.

Seu nome é belicoso
Evoca heróicas memórias
Muito embora sua natureza
Seja tão doce tão gentil
Que violência beligerante alguma
Nem o mais heróico dos contos fantásticos
Podem romper em magnanimidade.

O peregrino vê e se rende
Diz a si mesmo: “Impossível um dia possuir tão divina beleza”
Ele não mente a si mesmo.

Mesmo que a vontade o fizesse superar
As mazelas da desesperança da alma,
Ainda sim ter-se-ia de transpôr longa distância
Onde se vê e se constata
“Há vida e morte por todo o canto,
Também beleza e fealdade
Glória e desgraça,
Mas que aqueles que tiverem a sorte de encontrá-las
Que também o destino conceda
Que possam experimentá-las na carne.”

Perdi uma batalha que não pelejei,
Nem assim pretendo.
Cabe ao mais valioso soldado
Os louros da vitória.

Mas ao que se nega a lutar,
A mais amarga derrota.


De: Victor Moreno
Para: Sidy Batalha

19 dezembro, 2014

O quarto branco.



É muito raro eu me sentir confortável dentro desse quarto branco, mesmo quando ele não está aqui. Gosto bastante desse quarto quando está vazio. A cama ainda desarrumada como se ele tivesse levantando-se há pouco tempo, mas há dias ele não aparece. Estou sozinha.
Passo horas deitada na cama, esperando o crepúsculo chegar para que eu possa sair do quarto branco. Sabe, eu não gosto da cor sem vida dessas paredes, pois quando fico as olhando fixamente, como estou fazendo agora, o branco torna-se quase um amarelo cor de vômito.
Quando canso de olhar para as paredes fito o teto ou o chão, eles também são brancos. Tudo nesse quarto é branco, menos as borboletas, elas são verdes e rosas, mas essas borboletas não voam, estão pousadas nessas paredes há anos, sem movimentos. As borboletas me distraem e oferece um colorido pequeno a toda essa brancura.
Vez ou outra levanto da cama e olho pela janela do quarto. A janelinha tem uma grande, por isso não posso me debruçar sobre ela. Seguro a grade e fico olhando a parede cinza do muro do vizinho, meu horizonte se restringe aos tijolos.
            Ás vezes, quando não estou cansada, escrevo um pouco a respeito dele, mas choro muito, fico exausta e paro de escrever. Eu choro por qualquer coisa e quase o tempo todo. Coisa de mulher louca, frisava ele.
            Hoje quem apareceu para me visitar foram elas. Ficaram paradas no meio do quarto, julguei que assim como eu, elas estavam admirando toda aquela brancura. Uma delas usava o cabelo preso na nuca e mudou a visão das paredes para o meu rosto quando me ouviu chamá-la. Ela sorriu - um riso antigo, porém conhecido. Reparei na sua magreza, parecia que não comia há anos, seu rosto jazia envelhecido, mas ainda era doce e seus cabelos ainda cheiravam a jasmim.
A outra continuava elegante, equilibrando-se no salto alto, caminhou pelo quarto, parou em frente ao espelho para arrumar a aba do vestido preto. Ela sempre usava roupas de tonalidade escura, como se vivesse em um luto eterno.
Quando ela me olhou tive que colocar a mão em frente aos olhos, pois o seu batom vermelho queimava as minhas pupilas, era uma cor viva demais para meus olhos acostumados apenas ao branco.
Elas sentaram-se ao meu lado na cama e falaram sobre ele. Eu não queria ouvir nada sobre ele e sobre a sua vida fora desse quarto branco. Não queria saber como ele tinha virado infinito sem mim.
Certa vez, deitados na cama, fitando a pequena rachadura no teto, ele desenhou as iniciais dos nossos nomes no ar com o seu dedo indicador e falou que se as virássemos de lado e as juntássemos elas dariam forma ao símbolo do infinito, para sempre juntos. Mas ele não aguentou toda essa brancura e se foi.
Não quero lembrar ele.
Não posso.
Não consigo.
Eu morro.
Por que elas tendem a falar sobre ele?
E por que é tão difícil eu dizer qualquer coisa a elas e pedir para irem embora?
            Eu quero que elas me deixem em paz, porque eu gosto de ficar sozinha a admirar essas paredes brancas que são apenas minhas, não gosto de dividir a minha brancura com ninguém. Sou egoísta. Claro que eu não era quando ele estava aqui, mas agora sou.
            O dia chega ao fim e elas somem, como efeito de mágica. Agora posso escrever um pouco. Escreverei sobre a visita delas, sobre o brilho fugitivo de seus olhares e sobre as letras em forma de infinito. No entanto, não consegui movimentar meus dedos no papel, perdi toda a inspiração ao levantar da cama. Estou mais que exausta, ou pior, triste.
            Minutos depois, volto a deitar e a olhar para a parede branca. As borboletas continuam paradas sem se movimentarem. Irei arrancá-las. Elas estão usando o meu branco sem permissão. Quando eu levantar da cama darei um fim nelas! Está decidido!
Está tudo tão silencioso e meio escuro, acho mesmo que a hora do crepúsculo chegou. Sendo assim, já posso levantar, cruzar o corredor, e, por fim, descer as escadas segurando no corrimão branco, mas antes preciso arrumar o meu cabelo; ele não gostava que eu saísse do quarto com a madeixa bagunçada. Ele sempre foi tão bom para mim, ensinou-me a me embelezar como uma dama. Prendo o meu cabelo em um coque, depois troco de roupa, me desfaço da roupa velha e branca e visto um belo vestido preto. Meu reflexo no espelho parece tão pálido, minha pele também precisa de uma cor. Avermelho os meus lábios e as bochechas. Agora pareço uma pessoa normal e saudável. Ele vai amar me ver assim.
Desço as escadas segurando no corrimão, minha mão é tão pálida que chego a pensar que ela é parte integrante daquele ferro. Fora das paredes brancas sinto o frio congelante, esfrego minhas mãos enquanto caminho até o portãozinho de ferro, é só abri-lo e estarei fora da brancura.
Seguro o portão. Uma mão toca a minha. É ele. O olho atônita. Ele me diz que é preciso que eu fique sozinha, que não saia. “É muito perigoso lá fora”- murmura ele. Sim, eu sei que é perigoso, pois se eu sair terei que viver, o que é arriscado demais.
Sorrio para ele que não retribui, apenas continua falando que é melhor eu permanecer onde estou.
Ele beija-me e se vai.
Permaneço parada em meio aos muros brancos, segurando o portão, presa em um movimento em que preciso escolher se fico ou se vou, porque não é possível eu ficar para sempre estática segurando esse portão. Nada faço, permaneço imóvel, como ele me instruiu. Até que o portão se fecha sobre mim e esmaga-me dissolvida e intocável. 

           



P.S eu não te amo


Imagem: Unkown Artist



Sou uma garota meio fria, mas não quero viver sufocada com a amargura de uma ignorância, por isso te escrevo. Aprendi que a vida e o tempo a gente entrega as lembranças, assim, a todas elas, sejam doces ou amargas, todas contém o susto abominável de vida. Eu sou a garota que permanece até o fim das lembranças, por isso, nesse momento me ouvir deve ser muito inesperado. Talvez eu não consiga alcançar por meio das palavras tudo que eu quero verdadeiramente e infinitamente te falar. Quem me conhece sabe que gosto de ser sozinha, uso a solidão para refletir, mas hoje me encontro sozinha de uma maneira diferente. Estou sentada em uma cadeira no canto de um corredor branco e frio, sentindo uma dorzinha no peito esquerdo, não é dor de amor, é física mesmo.
Estou segurando um espelho, vejo nele o seu reflexo, você sentado em uma cadeira no meio de um corredor branco e frio. Naquele dia em que você sentiu uma dorzinha no peito esquerdo, não era dor de amor...
Naquela noite eu não segurei a sua mão, me desculpe por não tê-la segurado. Você pode me perdoar por isso? Pelo único dia em que eu não segurei a sua mão? Desculpe-me, mas eu não conseguia mais viver ao lado do meu assassino. Só Deus sabe quantas vezes eu me mantive firme enquanto o iceberg quebrava os meus ossos lentamente. Detesto o amargo, mas minha boca provou todos os seus sabores numa degustação breve, mas voraz. Talvez eu e você tenhamos sido cedo demais. Talvez eu você tenhamos sido tarde demais. Não tem como saber, só imaginar o cedo e o tarde.
Confesso, sempre pensei na minha dor, na dor de quem é abandonado, nunca pensei na sua dor, a de quem abandona. Eu nunca abandonei ninguém, por isso não saberei falar sobre ela. Não segurar a sua mão naquela noite não foi necessariamente um abandono, foi a minha tentativa de salvação. Uma tentativa sem sucesso! Eu morri naquele dia. No meio de uma história sem glória ou heróis, quem sabe... até sem amor.
Estou escrevendo hoje apenas para te pedir a minha mais sincera desculpa. Agora, sem máscara, sem personagens, sem jogos. Apenas eu, a garota do “sim” te pedindo desculpas, por ter sido fria, por não ter de dado colo, por não ter segurado a sua mão com mais firmeza, e principalmente por não ter sido o seu “sim” mais e mais vezes.  Eu sou essa mistura de frieza, maluquice, drama e fantasia, mas preciso que você saiba, que  naquela época eu te via como o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que cantava desvairadamente a vida em versos curtos, enquanto você assobiava canções infinitas.
Era uma loucura tudo. Nós dois. Graças a Deus chegamos ao fim do que não tem fim.
Agora, cruzo as pernas ardilosa, guardo a caneta no bolso da calça, o papel branco vai junto. Meu coração ainda dói, e vai doer todas ás vezes em que eu perturbada tentarei localizar o extremo disso que chamamos de amor. Seremos, eu e ele, o infinito das mãos vazias em meio a corredores frios. Sem amor, só a loucura.
P.S – Eu te gosto muito, o problema é que eu não te amo mais.


07 dezembro, 2014

Sim, Senhor!





“Eu gostei de você porque você era o meu sim no meio de tantos nãos”
Sim, eu posso ficar acordada e segurar a sua mão até você adormecer. Sim, eu posso fugir com você no meio da noite para um deserto de almas. Sim, eu posso te segurar forte como se fosse meu mundo. Você é um turbilhão de frieza, mas, Sim! Eu posso te amar.
Certa vez, um amor me disse que uma das partes que ele mais gostava em mim era o “Sim”. “- Você nunca me dizia não, e isso me emocionava”. Realmente, eu sempre fui o sim para todas as pessoas que precisaram infinitamente de mim. Eu abracei quando não queria abraçar. Sair, viajei, dancei quando só queria ficar trancada dentro do meu quarto escrevendo, porque eu tenho um lado meio melodramático que não consigo controlar. Eu sempre estive lá sendo o sim para muitas pessoas enquanto ninguém era o meu sim. Eu sempre estive lá preenchendo os corações de amor, enquanto o meu morria vázio.
Mas eu sei, não pense que eu não sei que todos os meus sins foram tentativas de não sentir dor. Eu sou assim, eu não sei ser o não – você sabe o que eu quero dizer. De dias, que nem o hoje que a revolta vem e eu tento saber o porquê que alguém não pode ser o meu sim. Eu sou um turbilhão de frieza, mas, não! Você não pode me amar. Não, eu não posso ficar acordado e segurar a sua mão até você adormecer. Não, eu não posso fugir com você para um deserto de almas desertas. Não, eu não posso te segurar forte como se fosse meu mundo. Não, não, e não! Desculpe-me, mas eu não consigo mais ser o sim, o seu sim ou o de qualquer outro. A minha voz estremece no meio da garganta, falha e o sim não sai mais. Mas, você pode sim ser o meu sim. Só basta dizer. 

04 dezembro, 2014

A verdade sobre Dezembro






                                                                                     Imagem: fonte Google Imagem




                                                                  Crônica escrita no ano de 2010

Nunca amei dezembro, é um mês frio, triste, solitário. Contudo, para não ser injusta, admito já ter sido apaixonada por dezembro, principalmente, porque era o mês no qual ele retornava para mim cheio de carinho e promessas. Quando dezembro chegava, eu sentia um gosto de felicidade a transbordar no meu peito a partir do momento em que eu respirava o mesmo ar que ele, mas essa sensação de acreditar que era amada e amava acabou há mais de sete anos, e quando ele volta, agora, é como se não tivesse existido nada, sem mãos frias, suspiros, coração acelerado e sonhos. Ele é apenas um nada no meio de um novo dezembro.

Dezembro também era amado quando eu era criança. Sempre no início do mês montávamos a árvore de natal, eu, meu irmão e nossa mãe. Era uma árvore verde e pequena que fazia parte da casa apenas nesse mês. Era a mesma árvore que minha mãe, quando criança, montava junto com a minha avó, um ritual familiar magnífico, apesar de simples. A arvorezinha dava todo um toque de segundo mundo quando as luzes começavam a piscar ao seu redor, nesse momento, a menininha “eu” sentava-se ao lado daquela belíssima iluminação e escrevia cartas ao Papai Noel pedindo presentes os quais nunca recebi, e foi assim, cansada de esperar milagres acontecerem que descobri que o bom velhinho não existe.

O final do ano também era esperançoso quando eu conhecia um cara e imaginava que nossas vidas juntas durariam mais do que o frio, mas dezembro acabava e junto com ele a paixão que nunca teve a oportunidade de se tornar amor. Nossa! Como dezembro era simbólico para mim, pois,  nesse período meus avôs faziam bolos e toda a família reunia-se para prová-los, mas meus avôs morreram de câncer e junto com eles a tradição que nem chegou a acontecer mais de três vezes.

Infelizmente, eu perdi a essência desse mês, pois não consigo vivenciar o verdadeiro significado do natal, não celebro a vida ou a compaixão, para mim é apenas mais um mês do calendário. É quando saio às ruas e tudo é feito de luzes brilhantes, de laços, de fitas, de bonecos brancos e vermelhos. É o mês que adoeço e fico de cama. É quando respiro a dor de possuir lembranças. 

Todo ano sinto como se dezembro me matasse e eu renascesse em janeiro, é um ano que acaba, é, é... É o fim de 365 dias de sonhos não realizados, mas também é a chance de recomeçar do zero. E o que eu espero de dezembro este ano? Menos dor, por favor!

                                 

20 novembro, 2014

A solidão de ontem





Há alguém tentando me encontrar?
Alguém virá me levar para casa? ♪♫♩♫♭

Ontem eu senti dor. Uma dorzinha fininha e aguda, bem lá no fundinho do meu peito. Nessa hora pensei em escrever porque a dor geralmente passa quando eu a expilo para fora do meu corpo em forma de verbo. Mas ontem eu não escrevi, simplesmente parei a minha vida para contemplar o céu não azul. Era um céu feiinho, nublado e acinzentado. Era um daqueles céus de fim de tarde - fim de dia. Era um céu que pairava sobre mim como um abismo, e enquanto o sol sumia por trás da serra a minha alegria se pôs junto com ele.
Quem nunca se sentiu tristemente solitário que atire a primeira pedra. Quem nunca se sentiu um estranho no meio de uma multidão de pessoas conhecidas que quebre o meu teto de vidro. Eu, a solitária do dia de ontem, estava mais sem espirito do que um morto recém ceifado. Não é falta de amor, porque eu transbordo amor e o amor é trasbordado em mim. Não é falta de mim mesma, porque desde que descobrir que eu necessitava mais de mim mesma do que de qualquer outro ser humano, eu não me abandono mais.
A solidão de ontem me impossibilitou de fazer a coisa que mais sei fazer: sorrir. A solidão de ontem me fez perceber que sou apenas uma imortal, todos nós somos imortais cheios de solidão e medos bobos. Eu sei, sei que nascemos sozinhos e morremos sozinhos, talvez o problema esteja aí, teoricamente eu não me acostumei a ser sozinha. Deve ser por isso que passo horas e horas no fim da tarde sentada no meio do pequeno corredor do apartamento contemplando um céu feio. O feio e o belo, porque o feio, como o belo, também existe. Eles são inseparáveis assim como a alegria e a solidão.
O acontecer da solidão desmascara a nossa fragilidade humana. Ontem quando a minha fragilidade foi despertada, senti vontade de abraçar o mundo, mas é tão difícil abraçar se quer alguém, quem dirá o mundo. Então, eu fico aqui, sentada sem abraços, sem colo, sem vida. Do outro lado uma amiga me fala que preciso sorrir, porque se eu não sorrir não vou poder continuar reconstituindo os corações e a vida das outras pessoas. Tudo bem, eu vou me embriagar de vida para salvar a sua vida. Como quem muda um canal de televisão, vou apertar o botão e parar no canal da alegria. Mas, antes deixe-me contemplar esse céu feinho porque ele está quase morrendo e não será mais o ontem. 



19 novembro, 2014

Eles sobre mim



Um olhar que deveras penetrante
De sorriso e carisma encantador
Proporciona nos seus textos ao leitor
Viajares infindos... Cada linha fascinante.

E sempre de seu brilho radiante
Emana a natureza em sua essência
Cisne Negro mascarado em inocência
Que às vezes se transforma num instante.

E até quando propõe deixar implícito
Não esconde o que é claro e explicito
Em seus textos que encantam a quem leia

E a tudo o mais que encanta a quem conhece
Com destreza, nas palavras se engrandece.
Agregadas a beleza que alardeia.

De: Isaac Jordão
Para: Sidy Batalha

12 novembro, 2014

Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".



Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro. 

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos. 

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas. 

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece. 

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. 

Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. 

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

Caio Fernando Abreu

18 outubro, 2014

A primeira vez que eu vi o meu pai chorar.

A primeira vez que eu vi o meu pai chorar
O céu estava negro, era madrugada.
A primeira vez que eu vi o meu pai chorar
ele soluçava como criança.
A primeira vez que eu vi o meu pai chorar
a realidade surgiu como um choque.
No dia em que o meu pai chorou
o seu corpo caiu sobre os meus pés.
No dia em que o meu pai chorou
meu avô estava morrendo.




Imagem: Van Gogh

03 outubro, 2014

A hora do amor


O amor chega em uma hora
Mas agora já são duas, três
Quatro horas.

O amor chega em uma hora
Embora seja uma hora
Dentro de horas no meio
De outra hora.

O amor chega em uma hora
Com o clamor da outrora.
Lá fora eu sem horas,
Sem tempo, sem entendimento.

O amor chega em uma hora
Agora é menos de uma hora,
Eu sem história contrario a hora.


15 setembro, 2014

O Lobo do Sul




Olhando para o teto no escuro, o mesmo velho sentimento de vazio em seu coração. O amor chega devagar e passa muito rápido. Bem, você a vê quando dorme, mas nunca para tocar e nunca para deixar 

Você me pergunta, morena e ferina? E eu respondo, por que não?
- Eu sempre gostei de mulher assim.
- Assim como?
- Morena e ferina.
- E eu sempre gostei de homem assim.
- Assim como?
- Olhos de gelo e lobo.
- Eu sinto falta da pessoa que projetei nela. Ela foi um grande amor platônico na medida do desejo que existiu, extinguiu como fumaça – conta-me ele meio desajeitado, talvez pelo momento da confissão demasiadamente profunda para o seu próprio ser. – Ela é assim como você, morena. Eu adoro morenas!
Eu sorrio – Sabe, eu sinto uma certa falta da pessoa que projetei nele. Sinto falta da pessoa que eu julgava que ele era, não que ele não seja uma personalidade real. Sei lá, mas acho que é isso.

***
Eu leio a frase do meu texto “O Gostável” no seu perfil e me assusto com a enorme semelhança entre as linhas do texto e ele. Você me explica que a frase assemelha-se a algo que tu escreveste e por meio dela encontrou-me. Eu sorrio, nunca imaginei que alguém escreveria algo que se assemelha com os meus pensamentos. Você me mostra um conto seu, eu o leio e gosto demasiadamente da maneira como você descreve o amor de um pai para com a sua filha. Como se só existisse vocês dois no mundo e nada mais importasse quando as duas retinas dos olhos verdes se encontram. É o sangue que pulsa o mais puro do amor.
***

Ainda ontem eu te disse que me sentia um pouco cansada de tecer a vida. Ainda ontem você me disse que se sentia um pouco cansado de tecer a vida, mas que era forte o bastante para continua na guerra. A sua coragem pulsa em suas veias como aviões caças que sobrevoam um céu meio nublado preparados para atacarem se necessário os inimigos que ameaçam intervir em sua rota original. A mesma veia que circunda o seu braço e para sobre a tatuagem de lobo gravada em teu pulso.  Eu encaro o lobo de olhos cinzas e te pergunto qual o significado da frase também escrita em teu pulso. Você responde com a voz grave “Was mich nicht umbringt, Macht mich starker” O que não me mata me fortalece - Friedrich Nietzsche.


 Eu olho para os seus olhos verdes que por muitas vezes julgo serem cinza e sinto uma perdição involuntária que se aprofunda quando ouço a sua voz. É a natureza me provocando o mais óbvio dos desejos.  
Simplesmente isso. Você, uma pessoa com poesia, um lobo medindo forças com uma tigresa. Eu olho novamente para a sua tatuagem e para o tamanho da sua mão e imagino que ela pode me tocar mesmo eu estando em um quarto bem longe de você.
No meio disso tudo você me olha reto, verde, eu digo novamente que são cinzas e você discorda soberbamente. Daí você com a voz meio abafada fala que sou sua Ciganinha e que eu deveria dançar eternamente pra você. Eu gosto da sua pele branca e do seu rascunho de textos inacabados. Desse desejo mútuo que explode entre nós. Gosto do seu mistério que não me dá medo. Tem dez minutos que te perguntei por que você é tão interessante. Você diz que é a mistura de alemão com italiano, não tem nada de gente do mato? Algo meio selvagem, como se você fosse um animal que não poderia viver preso em uma jaula dourada.
Mas, eu gosto mais ainda da nossa cumplicidade, cheia de segredos e mistérios. E da maneira como você conta sobre a sua infância e da infância que você cuida, dessa forma a sua voz controla uma sinceridade muito alta.
Você diz que deveríamos escrever algo juntos, e eu concordo.
Baby – você sussurra e desperta a minha parte selvagem, como se eu fosse uma tigresa e você o meu treinador pronto para me domar por meio do seu toque.
Sua loucura surge em frases curtas cheias de predicados incompletos, mas que levam ao entendimento de algo, como se você não precisasse de verbos para descrever o mundo.
Daí no meio de tudo isso você me olha hipnotizado como se eu fosse Afrodite e resigna para a lua um uivo de caça.

E disso tudo o que eu mais gosto é do sentimento que não existe. 

12 setembro, 2014

O Gostável


Imagem: Heather Landis
Para ler ao som de....




Por toda a minha vida por onde você andou? Fico pensando se vou te ver de novo, e se por acaso esse dia chegar tenho certeza que iríamos adorar – Again

Eu gostava das possibilidades que tínhamos juntos. Gostava dos seus olhos verdes que por muitas vezes julguei serem azuis. Eu gostei no dia em que sentado na cadeira de balanço você cruzou as mãos diante do queixo enquanto me explicava sobre o porquê da roseira da sua casa não ter florido ainda.
Eu gostava de todas as suas roupas que geralmente eram brancas. Gostava do seu banheiro em preto e branco e do espelho que ficava acima da pia onde nos olhávamos enquanto escovávamos os dentes juntos. Eu gostava quando me encontrava distraída e você puxava-me para dentro da rede branca, eu me aninhava em seus braços enquanto você me olhava meio paranoico porque você tinha medo de que um dia eu acabasse indo embora.
Eu gostava tanto da sua brancura e da sua altura que parecia pequena quando me abraçava. Eu lembro que gostei tanto daquela tarde em que você tentou me ensinar a atirar, você ficou por trás de mim ajudando-me a segurar a arma e dizendo que eu mirava errado, mas sempre acertava o alvo.
Eu gostava do quadro branco que ficava na parede em frente a sua cama, onde você rabiscava frases. Um dia eu peguei o pincel azul e tentei escreve-te algo, mas consegui apenas desenhar uma carinha feliz, faltavam-me palavras naquele momento para expressar o que eu sentia. Colorido-Dolorido.
Eu gostava quando você chegava a noite, eu te olhava da varanda, você na moto preta de capacete branco espremia os olhos como um gesto de riso. Eu descia as escadas do apartamento nervosamente sentindo pavor de nunca conseguir chegar até você completamente.
Eu gostava do jeito que você segurava a minha mão enquanto pilotava a moto e falava sobre o trabalho. Eu gostava tanto de te ouvir cantar enquanto tomava banho, sua voz era tão grave que atravessava as paredes. Eu gostei daquele dia em que você subiu as escadas com um buquê de rosas vermelhas e disse que o nosso amor era como sementes. Eu entendi que se eu regasse talvez ele durasse tempo suficiente para ser bom.
Eu gostava tanto do seu perfume que tinha um Z gravado no frasco, gostava da música Again do Lenny Kravitz, você costumava dizer que pensava em mim ouvindo ela. Meu Deus, como eu gostava do Alemão sem guerra.
Eu gostei tanto, tanto da primeira noite em que dormimos juntos, conversamos sobre nossas vidas até adormecemos. Lembro que quando acordei olhei para você e te gostei tanto. Você sorriu e disse que a melhor parte da noite foi quando acordou e viu que tinha adormecido segurando a minha mão.
Eu gostava tanto do cara misterioso e das suas aparições repentinas, fatigadas de nudismos interiores e exteriores. Eu gostava absurdamente dos nossos silêncios, que eram saciados quando a gente descobria algo pequeno para se observar, um feixe de luz em meio a escuridão.
Sabe do que eu não gostava? Eu não gostava quando você tornava-se agressivo verbalmente, ou sumia por vários dias sem me dá uma explicação. Eu sentia uma dor enorme no peito, na mente e no corpo, tentando encontrar algum esclarecimento plausível para compreender a sua frieza. Não gostava quando você era manipulador e paranoicamente amargo. Não gostava da maneira que você me fazia chorar após despejar as palavras mais duras em meus ouvidos. Ou do jeito que você me fazia sentir impotente diante da vida. Foi durante esses momentos em que comecei a presenciar a morte do amor, fria e dolorida. As coisas começaram a se modificar quando você apareceu lento na curva que levava ao meu lar, foi quando eu senti, mais uma vez, que paixão não resiste a tudo.
Sabe do que eu realmente gostava? Não era dos excessos de carinho, ou do seu sorriso metálico ou da sua escrita, ou da sua loucura. Eu gostava de você! Mas, gostei mais ainda do gosto da liberdade ao te deixar! 
Você já faz quatro anos e eu nem gosto mais de você, mas tenho que escrever sobre você para que nossa história seja salva nas páginas em banco do world.

26 agosto, 2014

Partes do documentário

O vídeo não carregou :(
Então vamos para as falas do documentário e das cartas recebidas :D

Viver é tocar o coração das pessoas. É tão bom saber que consigo fazer isso. Meus amigos juntamente com a minha família são a essência da minha vida.

Ela é fundamental na minha vida, com suas loucuras ou não (...) Uma louca (rs) Ela escreve sempre para esconder alguma coisa que ela não quer transparecer para as pessoas. Ela representa a irmã que eu nunca tive (...) Ela escreve muito para esconder a dor dela. - Paloma Moreira.

Sidileide, ela torna as coisas diferentes, ela é aquela pessoa que quando chega sua presença modifica a sua. Ela tem esse poder de transformar o nosso estado de espirito. A energia dela é tão boa que transforma o outro. Ela é várias pessoas em uma só. - Evandro Nogueira

Ela tem uma grande importância na minha vida. Eu não me vejo sem ela (...) Se ela não existisse iria ficar um buraco, um vazio (...) Ela sempre quis ser diferente. Sidy sempre busca um diferencial das outras pessoas (..) Ela não quer ser aquela menina que senta no fundão para bagunçar, não quer ser a patricinha que anda sempre arrumada, e nem a nerd da turma – Junior Smile

Sidileide para eu representa uma Diva, uma pessoa muito especial, É cheia de maluquices (...) Samara Nayane

Boa amiga, companheira, inteligente (...) quando ela chega ela faz a diferença, ela abala! Dalyanne França

Sidy é uma pessoa extremamente importante para mim, ela chegou na minha vida e me ajudou a superar coisas e momentos que eu não conseguia entender sozinha (...) Ela é e não é daqui, transita entre o real e o ficcional. Ela é a nossa extraterrestre. – Caroline Pessoa

Sidy é um daqueles amigos que tá sempre preocupado com você. Ela tem uma parcela de culpa pelo o que eu sou hoje. (...) Ela é dramática, a pessoas mais intensa que eu conheço. Samuel Alves

Sidy, é uma pessoa que representa um marco para mim, ela representa a questão da liberdade (...) Ela não se importa com o que as pessoas pensam, mostra-se inteira. Ela vive na terra, mas vive muito mais além dela “Lá embaixo estar toda a raça humana, e lá em cima ela” Lígia Carvalho

Eu sinto por ela um sentimento materno, como se ela ainda fosse uma criança e eu precisasse cuidar dela. Mas, em outros momentos eu a vejo como um pássaro que voa por onde quer e como quer. É independente e tem múltiplas personalidades – Débora Lorena

Ela é tanta coisa, são várias coisas, é o conjunto dessas coisas juntas. Não é apenas uma acadêmica de letras, ou uma moça que sabe dançar a dança do ventre, é a acadêmica de letras que sabe dançar a dança do ventre, só um recorte tirado desse conjunto” – Junior Smile.

Eu sou isso. Canceriana. 23 anos. Amante. Blogueira. Faço letras. Desordem. TPM = a Sidileide Batalha. Vai querer mesmo conhecer? Será como enfiar o planeta terra na sua cabeça (literalmente) – Caroline Pessoa.

 Pessoa muito especial Sidy, é singular, é diva, é Batalha. – Débora Lorena

Eu aposto em você para descobrir a cura para os bons corações que foram partidos. Pois não há melhor forma de se fazer isso do que com a alegria que transborda em seus olhos e com as frases disformes, mas cheias de sentido que saem de você. – Lígia Pessoa

Só ela não percebe que quando anda exala alegria, que o avião é ela, que príncipes não andam mais a cavalo e que ela já é uma estrela. – Ronaldo Santos

Tu é única, em vários aspectos. E quem te conhece de verdade concorda comigo. Uma artista, uma escritora, uma dançarina, uma poetisa, uma cigana. – Niéliton Sandson

Sidileide é importante na minha vida por muitos motivos, sempre que estamos na companhia dela acontece algo que marca. Seja por causa do drama ou da coragem dela de fazer o que os outros não conseguem. É muito importante para eu saber que faço parte do seu ciclo de amigos. (...) Quando ela gosta ela gosta ao extremo e quando ela odeio ela  odeia pra C***** (...) Quando ela  quer uma coisa ela  consegue (...) Sabrina Leite