21 agosto, 2019

RELACIONAMENTO ABUSIVO PSICOLÓGICO, UMA VIOLÊNCIA SILENCIOSA.


        Simone de Beauvoir, grande estudiosa sobre o papel da mulher na sociedade, em seu livro O segundo sexo (1949), enfatiza que o destino tradicional oferecido as mulheres pela sociedade é o casamento, uma vez que lhe foi ensinado, desde a infância, a ser um ser obediente e passivo, enquanto espera para entregar-se aos braços do príncipe encantado:
A mulher é a bela adormecida no bosque, Cinderela, Branca de Neve, a que recebe e suporta. Nas canções, nos contos vê-se o jovem partir venturosamente em busca da mulher; ele mata dragões, luta contra gigantes; ela acha-se encerrada em uma torre, um palácio, um jardim, uma caverna, acorrentada a um rochedo, cativa, adormecida: ela espera. Um dia meu príncipe virá... Some day he‘ll come along, the man I love... Os refrães populares insuflam-lhe sonhos de paciência e esperança (BEAUVOIR, 1967, p. 33).

         Sendo assim, a recompensa da mocinha é conquistar um coração masculino, pois foi isso que lhe foi repassado, durante séculos, pela sociedade patriarcal[1]. Dessa forma, muitas mulheres acabam por acreditar que a sua vida só terá sentido a partir do momento no qual ela terá um homem ao seu lado no altar, isso acontece porque o sexo feminino foi criado para achar que o casamento é algo muito importante, a maior realização na vida de uma mulher.
         A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie afirma que “O casamento pode ser uma fonte de alegria e amor e apoio mútuo, mas por que nós ensinamos as meninas a aspirarem pelo casamento e nós não ensinamos o mesmo aos meninos?” Tendo em vista essa educação patriarcal tóxica, e a pressa de encontrar um companheiro, mulheres no mundo inteiro acabam por envolvem-se com parceiros agressivos e doentios (no início eles mostram-se passivos e amorosos), e não conseguem sair do relacionamento, uma vez que serão apedrejadas pela opinião social, ou, em muitos casos, sofrem ameaças por parte do parceiro.


[1] Patriarcado é um sistema social em que homens mantêm o poder primário e predominam em funções de liderança política, autoridade moral, privilégio social e controle das propriedades. No domínio da família, o pai mantém a autoridade sobre as mulheres e as crianças. Nessa sociedade, o papel da mulher restringe-se a secundário, sendo visto como sexo frágil que serve apenas para cuidar do lar. A mulher não tem voz e nem espaço nesse sistema.




         Uma das violências, na qual algumas atitudes são vistas como normal, em muitos casos, pela nossa sociedade, é a violência psicológica que acontece dentro de um relacionamento abusivo ( Segundo a psicóloga Raquel Silva, Um relacionamento abusivo é caracterizado pelo excesso de poder de uma pessoa sobre a outra dentro de um relacionamento afetivo, no qual um parceiro extremamente ciumento quer controlar as atitudes e decisões do outro, tentando isolá-lo do restante do mundo). No início, é difícil perceber os abusos psicológicos, tendo em vista que o abusador justifica que tudo o que ele faz é por amor. Além disso, ele coloca a sua parceira dentro de um jogo psicológico no qual ele a faz acreditar que ela, a vítima, é a própria culpada pelas agressões que sofre.
        O relacionamento abusivo, infelizmente, é romantizado em nossa cultura através da mídia, do cinema, da literatura, da TV e da música. No cinema, podemos citar a trilogia do filme Cinquenta tons de Cinza no qual os sentimentos de ciúme, manipulação e controle obsessivo são romantizados e tidos como prova de amor. Isso pode ser muito perigoso para as jovens adolescentes que podem enxergar no protagonista da estória uma figura afetiva a qual buscar na vida real. Na literatura brasileira, temos Dom Casmuro (Machado de Assis) e a sua obsessão e ciúme doentio por Capitu.
            Na violência psicológica, o parceiro produz a vulnerabilidade da mulher baixando a sua autoestima, a fazendo duvidar da sua sanidade mental com frases, como: “Você está louca, isso nunca aconteceu. É coisa da sua cabeça”, também a faz descrer de si mesma e das suas capacidades profissionais, ele consegue afastá-la dos amigos e dos familiares, a vítima muda o seu estilo de vida, e crê que não é uma parceira boa o suficiente para ele.  Além de fazer sexo mesmo estando sem vontade só para agradá-lo. Às vezes a mulher só se dá contar que está em uma relação afetiva abusiva quando chega ao ponto de ser agredida fisicamente.
          É perceptível que essa violência revigora devido as estruturas das relações que produzem a submissão da mulher como reflexo da herança e do contexto patriarcal que tem a figura da mulher como sua serva, sua posse.
          Portanto, violência não é somente aquilo que pode ser visto, como a física e a sexual. Existe a violência silenciosa que deixa marcas profundas no psicológico da vítima para o resto da vida. É inegável que a agressão psicológica traz sérios impactos a saúde da vítima. É importante que em um relacionamento amoroso haja respeito mútuo, caso você perceba que está começando a ser desrespeitada como pessoa, companheira ou mulher está na hora de rever, por respeito a si mesma, se você necessita realmente dessa pessoa em sua vida. Apesar de tudo que nos foi ensinado, partindo da cultura patriarcal, nós temos todo o direito de não almejar um casamento, de não querer ser mãe e de aspirar estar sozinha.





03 maio, 2019

Revista LIBERART 2º edição.


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 Liberart 2ª edição

A revista literária LIBERART é uma exposição organizada pelos alunos do segundo ano do ensino médio, Escola Estadual Profª Maria Edilma de Freitas, (com publicação dos alunos do 9º ano do ensino fundamental, 1º e 2º série do ensino médio) e pela professora de Língua Portuguesa Sidileide Batalha. Esperamos que a revista ofereça reflexões positivas sobre os temas abordados: Bullying, agressão contra a mulher, homofobia, preconceito racial, corpo, gênero e sexualidade. Desejamos uma boa leitura. Que a arte e a literatura possam abrir as suas mentes para um mundo de possibilidades e respeito mútuo. 



16 janeiro, 2019

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Mulher forte e valente
Tem o sobrenome batalha na frente
Talentosa e inteligente
Ela é Sidy

Escritora e poetisa
Sempre bela e altiva
Conquista pela escrita
É minha autora favorita

Olhos que observam tudo
Que ao pensar no futuro
Transcreve para o papel
Um desejo seu

Sonhos e pensamentos
Ela escreve muito bem
Sempre bem elogiada
E além de tudo premiada

Tamanha sensibilidade
Com muita espontaneidade
Ela é Sidy
Escrevendo sobre a vida.

De: Vítor Carvalho
Para: Sidy B.

02 dezembro, 2018

Compre o livro Lábios Vermelhos

                                                           
                                           
                                                                                     

O livro Lábios Vermelhos é uma coletânea de contos, vinte contos, que abordam temáticas voltadas para o machismo, feminismo, vazio existencial, solidão e medo. São histórias ficcionais, mas que não fogem a realidade de várias mulheres. Quem também guarda uma relação bastante imbricada com as problemáticas ligadas a mulher é o espaço que se constrói nas narrativas. Muitas das vezes, sugerem uma espécie de prisão transparente. Esses espaços, por vezes, são físicos, mas outras são psicológicos e sociais.

Ou entre em contato comigo nas redes sociais: e-mail: Sidybatalhaa@hotmail.com
Instagram e Facebook: Sidy Batalha

27 outubro, 2018

Lançamento do livro Lábios Vermelhos, na cidade de Pau dos Ferros, RN.













ELE


Imagem: Daniel Araújo




Sabe há quanto tempo não escrevo? Muitos e muitos dias, porém, hoje lembrei-me de você e a saudade me fez rabiscar essas palavras melosas. Eu sinto a sua falta. Sinto falta de nós juntos. Você sempre foi o único homem que me amou. O único amigo que esteve ao meu lado em todas as horas e situações. É você, até hoje, quem me abriga e me dá colo quando algum idiota parte o meu coração ao meio com um machado de ilusões. É você também quem rouba a minha fala e se pergunta o porquê de mais uma vez o romance não ter dado certo, e; em seguida, respira fundo e sopra aos meus ouvidos: “Você é maravilhosa. Eu te amo. Se a vida fosse metódica você seria a única mulher por quem eu me apaixonaria, para sempre”. 
Hoje, encontrei a foto daquela madrugada na qual você gritou, em frente ao meu portão, que me amava. Você estava bêbado e me fez prometer que eu nunca sairia da sua vida (você sabe que eu tenho a tendência de abandonar as pessoas, é uma autodefesa). Abraçamo-nos e rimos de toda aquela situação e da nossa história. O meu maior desejo na vida era que você se declarasse para mim; na primeira vez, éramos adolescentes e você também estava no meu portão.  Dessa vez, somos adultos, você namora e ama outra pessoa, enquanto eu estou apaixonada por outro.
Nesses doze anos de convivência, o seu amor, por muitas vezes, me permitiu sobreviver em meio ao grande vazio que me preenche, vez ou outra. Você afirma que esse vazio é coisa de escritora, de gente culta e profunda. Eu rebato e digo que é sentimento de louco. Você não discorda, pois sabe que eu sou, realmente, muito louca. Eu sei, sei que a minha loucura te assusta às vezes, principalmente quando eu saio sozinha na “cidade grande” em busca de amor e você me deixa dezenas de mensagens perguntando a minha localização e se estou bem. Quando volto, sem esperança, você me recebe sem críticas e isso me abranda o peito.
Você foi a grande inspiração para a construção do mocinho do meu romance, pois você possui o coração tão grande e cheio de bondade que só a sua essência poderia dar vida a Guilherme Almeida. Atualmente, apesar de nós estarmos distantes, eu sempre o guardarei no meu coração, e sei que você também fará isso. Costumo dizer que o nosso vínculo emocional não morreu, mas transformou-se; agora é um sentimento inocente e puro, como amor de irmãos. Você sempre será o meu herói. 

15 agosto, 2018

REVISTA LIBERART

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A revista é uma exposição organizada pelos alunos do segundo ano do ensino médio (com publicação dos alunos dos 1º e 2º ano do ensino médio) e por mim: professora Sidileide Batalha. Esperamos que a revista ofereça reflexões positivas sobre os temas abordados: Bullying, relações contemporâneas, corpo, gênero e sexualidade. Desejo uma boa leitura. Que a arte e a literatura abram as suas mentes para um mundo de possibilidades e respeito mútuo.